Adrian Dennis/AFP
Adrian Dennis/AFP

Reino Unido propõe visto de trabalho, mas só 127 caminhoneiros solicitam documento

País tenta atrair profissionais europeus para combater crise no setor

Redaçaõ, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2021 | 15h00

LONDRES - Um plano do Reino Unido para atrair caminhoneiros europeus e contornar a crise de abastecimento que preocupa o país não teve, ao menos até agora, um grande resultado. Só 127 motoristas, de 300 esperados, se inscreveram até esta terça-feira, 5, para solicitar vistos de trabalho excepcionais oferecidos por Londres, informou o premiê britânico Boris Johnson.

"Dissemos à indústria de caminhões 'dê-nos os nomes dos motoristas que deseja trazer e cuidaremos dos vistos'", disse ele à BBC durante a conferência anual do Partido Conservador em Manchester, noroeste da Inglaterra. "Mas até agora eles forneceram apenas 127 nomes."

O Reino Unido enfrenta uma escassez de suprimentos que atinge de postos de gasolina a supermercados e ameaça o Natal dos britânicos. O cenário é resultado da pandemia e do Brexit, que diminuiu a oferta de mão de obra. 

Para contornar a situação, o governo britânico mobilizou nesta segunda-feira, 4, motoristas do exército para ajudar a entregar combustível nos postos de gasolina.

Johnson destacou que a escassez de caminhoneiros - até 100 mil no Reino Unido segundo autoridades ​​do setor - é um problema global, embora tenha reconhecido que existe "um problema particular" em seu país.

Muitos motoristas, principalmente da Europa Oriental, voltaram para casa, e agora as novas regras de imigração pós-Brexit complicam seu retorno.

No entanto, Johnson novamente se recusou a flexibilizar as regras de entrada de trabalhadores estrangeiros, apesar de líderes empresariais de vários setores, incluindo comércio e hospitalidade, denunciarem que falta de pessoal.

"Os problemas na cadeia de abastecimento são em grande parte causados ​​pela forte recuperação econômica e o que vocês verão é como a logística, os especialistas em nossas redes de supermercados, em nossa indústria de processamento de alimentos, cuidam disso", disse o primeiro-ministro. “Mas a carência é global e o que estou dizendo é que não podemos voltar ao velho modelo fracassado em que a mão-de-obra de baixa qualificação e baixa remuneração é generalizada”, disse, referindo-se aos trabalhadores estrangeiros. /AFP

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