Morteza Akhoondi/Tasnim News Agency via AP
Morteza Akhoondi/Tasnim News Agency via AP

Reino Unido quer criar força europeia de proteção no Golfo Pérsico 

Intenção é anunciada após apreensão de um navio-tanque britânico na sexta-feira pela Guarda Revolucionária do Irã

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2019 | 15h27

LONDRES - O ministro das Relações Exteriores britânico, Jeremy Hunt, disse nesta segunda-feira, 22, que o Reino Unido quer criar uma força de segurança marítima para o Golfo Pérsico com liderança da Europa, mas ressaltou que seu país não busca enfrentar o Irã

"Vamos procurar criar uma missão de segurança marítima liderada pela Europa para apoiar uma passagem segura para cargueiros e tripulações naquela região vital", declarou Hunt no Parlamento depois que o Irã confiscou na sexta-feira um petroleiro de bandeira britânica.

"Vamos tentar estabelecer essa missão o mais rápido possível", disse ele, acrescentando que "não será parte da política de pressão máxima dos Estados Unidos sobre o Irã". 

Hunt descreveu o incidente de sexta-feira como um ato de "pirataria estatal". 

De propriedade de um construtor naval sueco, mas com bandeira britânica, o navio-tanque Stena Impero foi interceptado na sexta-feira pela Guarda Revolucionária do Irã, que acusou a embarcação de não respeitar o "código marítimo internacional", o que foi negado pelo Reino Unido.

O petroleiro, com 23 tripulantes a bordo, foi retido semanas depois que uma embarcação iraniana, que aparentemente levava petróleo à Síria em violação das sanções da União Europeia (UE) contra esse país, foi retida no Estreito de Gibraltar. Ele está retido no porto de Bandar Abbas, no sul do Irã.

Após a tomada do Stena Impero na sexta-feira, o Reino Unido pedirá agora a todos os navios com a bandeira nacional que avisem ao governo sobre as intenções de navegar pelo Estreito de Ormuz, disse Hunt.

A apreensão do "Stena Impero" e a impotência dos britânicos para impedi-la reviveram no Reino Unido o debate sobre seu poder militar.

"Não há dúvida de que a (redução) da Marinha Real desde 2005 - que passou de 31 fragatas e destróieres para 19, atualmente - teve um impacto em nossa capacidade de proteger nossos interesses em todo mundo", afirmou o contra-almirante aposentado Alex Burton.

Os atritos entre Teerã e Washington aumentaram desde a retirada unilateral dos EUA, em maio de 2018, do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano concluído em 2015. A região do Golfo e o Estreito de Ormuz, por onde transita um terço do petróleo mundial, está no centro das tensões./ AFP, EFE e REUTERS  

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