Reino Unido quer extradição de russo no caso do ex-espião

O governo britânico pedirá à Rússia a extradição do empresário russo Andrei Lugovoi para que ele seja julgado pelo assassinato do ex-espião Alexander Litvinenko, envenenado em Londres com uma dose de uma substância radioativa,afirma hoje o jornal The Guardian. De acordo com fontes oficiais citadas pelo jornal britânico, a Scotland Yard entregará à Procuradoria da Coroa um relatório indicando que há provas suficientes contra o empresário para que ele seja processado.Litvinenko, ex-coronel do Serviço Federal de Segurança (antigo KGB), morreu em 23 de novembro no University College Hospital de Londres devido a uma alta dose de polônio 210.Segundo o Guardian, o Governo britânico se prepara para um esfriamento das relações com Moscou devido ao pedido de extradição, que pode ser apresentado em fevereiro.Em troca, o governo está convencido de que o Kremlin pedirá a extradição do empresário russo Boris Berezovsky, a quem as autoridades britânicas concederam asilo.Lugovoi, de 41 anos, ex-guarda-costas do KGB, foi uma das pessoas interrogadas por detetives da Scotland Yard quando eles visitaram Moscou em dezembro para investigar o caso Litvinenko.O ex-espião adoeceu em 1º de novembro, dia em que se reuniu com Lugovoi e outro cidadão russo, Dmitry Kovtun, no hotel Millenium de Londres, onde a polícia detectou vestígios de radiação com Polonio 210.Lugovoi negou em várias ocasiões ter tido qualquer participação no assassinato de Litvinenko, que vivia com sua família em Londres e tinha recebido a nacionalidade britânica."Não sou culpado. Não tenho nada a ver com a morte de Litvinenko", afirmou o empresário ao Guardian, acrescentando que não está a par de que a Scotland Yard vá pedir sua extradição.O jornal lembra que tudo indica que Lugovoi deixou rastros de polônio 210 nos escritórios e hotéis onde esteve em Londres, assim como nos aviões nos quais viajou à capital britânica.Várias pessoas também foram contaminadas com a substância radioativa, entre elas vários funcionários do hotel Millenium.Kovtun, empresário associado a Lugovoi, também foi contaminadocom polônio 210.Ao retornar a Moscou no ano passado, Lugovoi convocou uma coletiva para manifestar sua inocência e denunciou que sua mulher e seus filhos também estavam contaminados com a substância radioativa.Em carta divulgada após sua morte, Litvinenko acusou o Kremlin de estar por trás de seu assassinato por ter acusado o serviço secreto russo de causar uma série de explosões em Moscou em 1999 para ajudar Vladimir Putin a chegar à Presidência.O Guardian afirma que, apesar de os detetives acreditarem ter achado provas que apontam para a participação de Lugovoi, o motivo do assassinato não parece estar claro.Segundo o jornal, funcionários britânicos crêem que há uma disposição de Moscou para chegar a um acordo para entregar Lugovoi em troca da extradição de Berezovsky.O multimilionário russo fez uma fortuna calculada em £ 800 milhões (? 1,216 bilhão) durante as privatizações na Rússia na década de 90, mas fugiu para o Reino Unido devido a desavenças com Putin.O Kremlin acusa Berezovsky de planejar a queda do governo russo pela força, diz The Guardian. Mas a Justiça britânica já decidiu que as acusações contra o empresário russo têm motivo político e não acredita que ele possa receber um julgamento justo na Rússia.Segundo o diário, o Governo britânico teme a possibilidade de um problema diplomático com a Rússia, pois haveria conseqüências econômicas.

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