GLYN KIRK / AFP
GLYN KIRK / AFP

Reino Unido suprimirá tarifas de 87% das importações em caso de Brexit sem acordo

Objetivo do regime alfandegário, que entrará em vigor em 29 de março se um acordo não for alcançado ou em caso de adiamento do Brexit, é manter postos de trabalho e evitar disparada de preços; governo dimunui previsão de crescimento da economia para 1,2%

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 12h12

LONDRES - O Reino Unido reduzirá drasticamente as tarifas de importação em caso de Brexit sem acordo e não aplicará controles alfandegários na fronteira com a Irlanda para evitar uma fronteira física, anunciou o governo britânico.

Este novo regime alfandegário, que entrará em vigor no dia 29 de março à noite se um acordo não for alcançado ou em caso de adiamento do Brexit, vai durar no máximo 12 meses e 87% das importações não serão submetidas a tarifas.

Ele seguirá em vigor à espera de um regime alfandegário permanente. "Se deixarmos (a União Europeia) sem acordo, vamos suprimir a maioria de nossas tarifas, mantendo-as para as indústrias mais sensíveis", afirmou o secretário de Estado para Política Comercial, George Hollingbery.

"Esta aproximação equilibrada permitirá apoiar os postos de trabalho britânicos e evitar que os preços disparem, o que afetaria muito as famílias mais modestas", completou.

A medida reduziria a maioria das tarifas de alguns produtos alimentícios, incluindo carne de vaca, cordeiro, porco, frango e alguns laticínios, mas não serão totalmente suprimidas para proteger os produtores britânicos.

No setor automotivo, o governo anunciou que as montadoras "não serão submetidas a tarifas adicionais sobre as peças importadas da UE para evitar qualquer perturbação das cadeias de abastecimento".

O novo regime não seria aplicado às importações procedentes dos países com os quais o Reino Unido já tem acordos de livre comércio, assim como com quase 70 países em desenvolvimento que têm acesso preferencial ao mercado britânico.

O governo também afirmou que não aplicaria direitos alfandegários e não optaria por controles alfandegários sobre os produtos que passam pela fronteira norte-irlandesa.

Redução do crescimento

O crescimento do Reino Unido pode chegar a apenas 1,2% em 2019, menos do que os 1,6% anunciados em outubro, segundo os últimos dados do instituto público OBR divulgados nesta quarta-feira pelo ministro da Fazenda britânico, Philip Hammond.

No entanto, as previsões de crescimento mantiveram-se em 1,4% para 2020 e aumentaram ligeiramente para 1,6% em 2021 e 2022, abrindo uma perspectiva ligeiramente melhor do que na estimativa anterior para os próximos cinco anos, de acordo com Hammond, que apresentou sua declaração orçamentária para a Câmara dos Comuns.

O ministro também indicou que a economia do Reino Unido continua sob ameaça da "nuvem de incerteza" em torno do Brexit, na sequência da rejeição do acordo sobre a saída da UE.

"A votação da noite passada deixa a nuvem de incerteza pairando sobre nossa economia e nossa tarefa mais urgente nesta Câmara é remover essa incerteza", ressaltou o ministro aos deputados. / AFP

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