Will Oliver/EFE
Will Oliver/EFE

Reino Unido torna-se o país europeu com mais mortos por coronavírus

País passou a Itália e se tornou segundo do mundo em mortes; desde que a pandemia começou, mais de 32 mil pessoas morreram em razão da doença no território britânico

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2020 | 12h25

LONDRES – O Reino Unido ultrapassou a Itália como o país europeu com o maior número de mortes causadas por coronavírus. Segundo dados registrados pelo governo britânico, que está sendo pressionado pela falta de fiirmeza em sua resposta inicial ao vírus, mais de 32 mil pessoas já perderam suas vidas no país, o segundo com mais mortes em decorrência da doença, atrás apenas dos Estados Unidos.

Até o dia 24 de abril, 29.648 pessoas haviam morrido de Covid-19 na Inglaterra e no País de Gales, de acordo com dados divulgados semanalmente para essas regiões pelo Escritório de Estatísticas Nacionais.

Somados aos óbitos contabilizados na Escócia e na Irlanda do Norte até aquela data, o número salta para 32.313, segundo contagem da agência Reuters, enquanto o número total de casos se aproxima de 192 mil. A Itália, por sua vez, tem 29.079 mortes oficialmente registradas, com quase 212 mil diagnósticos.

Especialistas preferem analisar estatísticas históricas do que comparar o número oficial de mortes por Covid-19 entre um país e outro. Isto porque nações adotam métodos de diagnóstico e critérios de registros diferentes: por exemplo, enquanto o Reino Unido contabiliza mortes prováveis e comprovadas, as estatísticas italianas levam em conta apenas os óbitos confirmados por exames. Em ambos os casos, é provável que as subnotificações sejam significativas.

Apesar de uma queda recente no número diário de mortes, a chefe do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Europa disse na segunda-feira que o Reino Unido ainda não viu uma “mudança substancial” no número de casos de Covid-19. Isto, segundo Andrea Ammon, pode indicar que o pico da epidemia ainda pode não ter passado, contrariando declarações prévias do primeiro-ministro Boris Johnson.

Boris passou três noites na UTI após ter contraído a doença e disse, em uma entrevista nesta semana, que os médicos chegaram a se preparar para o pior. Recuperado, o primeiro-ministro voltou ao comando do país no último dia 27, bastante pressionado pela resposta oficial de seu governo à pandemia.

As autoridades britânicas foram bastante lentas para agir, impondo o confinamento apenas no dia 23 de março. Antes disso, o governo vinha se baseando em táticas amplamente criticadas de combate ao coronavírus, com a imprensa chegando a noticiar que a estratégia inicial do governo era a de “imunidade coletiva”, permitindo que a população se contaminasse para criar resistência ao Sars-CoV-2 — algo que nunca foi implementado com sucesso em outros países, dados os riscos de colapso dos sistemas de saúde.

Outro ponto que vem gerando críticas é a falta de equipamentos de proteção individual (EPI) no NHS, o serviço de saúde público britânico, no qual o SUS foi inspirado. Ainda assim, envolto nas negociações para um acordo pós-Brexit, Londres tomou uma decisão política de não participar de um esquema europeu de comprar respiradores e outros equipamentos médicos para combater a Covid-19./AFP E REUTERS

 

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