Rejeição a gás natural faz Chile pensar em energia nuclear

Rodeado de vizinhos cada vez mais esquivos no fornecimento de gás natural e com uma crescente demanda por energia, o Chile reflete sobre a possibilidade de desenvolver a energia nuclear. O governo anunciou na semana passada a criação de uma comissão para estudar a opção nuclear, como já fizeram Argentina, Brasil e México, para atender às suas necessidades. Apesar de o governo de centro-esquerda garantir que uma decisão não é iminente, o possível uso da energia nuclear já desperta acirrados debates num país conhecido por sua beleza natural e seus terremotos. "O Chile é totalmente inexperiente. No Chile não há a engenharia, nem a tecnologia para poder desenvolver uma usina nuclear", disse à Reuters o diretor-executivo do Greenpeace local, Rodrigo Herrera. "Não é com a energia nuclear que vamos solucionar o tema energético no Chile, isso está longe da realidade", acrescentou. Mas em algo todos estão de acordo: o Chile precisa fazer alguma coisa para alimentar suas necessidades energéticas. O país produz pouquíssimo petróleo e nada de gás natural, que importa da Argentina - que por sua vez restringiu o fornecimento ao Chile, por causa do aumento na sua própria demanda interna. Outro vizinho, a Bolívia, que tem ricas jazidas de gás, não quer vendê-lo, por causa de uma disputa diplomática sobre o acesso boliviano ao oceano Pacífico, que se arrasta desde o século 19. Além disso, a economia chilena é particularmente vulnerável à escassez energética, porque uma grande parte da sua poderosa atividade mineradora, dominada pela produção de cobra, é a maior consumidora de energia do país. No final da década de 1970, a energia nuclear entrou em pauta no Chile, mas durante a ditadura de Augusto Pinochet decidiu-se que ela não seria economicamente viável.

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