Rejeição internacional surpreende egípcios, que mantêm protestos

Opositores, como o Prêmio Nobel Mohamed ElBaradei, tentam convencer o mundo de que não houve golpe

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / CAIRO, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2013 | 02h03

Líderes políticos do governo interino do Egito e membros da oposição a Mohamed Morsi lançaram ontem uma ofensiva contra as críticas da comunidade internacional, que exige o retorno da democracia e de um governo civil. A rejeição da ONU e de países como EUA, Grã-Bretanha, Alemanha e Turquia causou surpresa. Líderes políticos, como prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, tentaram convencer o mundo de que não se trata de um golpe de Estado.

As reações internacionais começaram na quarta-feira, quando o presidente dos EUA, Barack Obama, se disse "profundamente inquieto" pela crise política no Cairo. "Apelo ao poder militar egípcio para devolver toda a autoridade a um governo civil democraticamente eleito", afirmou o presidente.

Londres afirmou que "não apoia intervenções militares", enquanto a Alemanha definiu como a destituição de Morsi como "fracasso maior para a democracia no Egito". Na Turquia, o governo de Recep Tayyip Erdogan, pressionado por movimento populares, recriminou a intervenção. "Em todos os países democráticos, as eleições são o único meio de chegar ao poder. Esta situação é inaceitável", disse.

No mundo muçulmano, autocratas de Catar, Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Bahrein e Síria apoiaram a intervenção, o que ampliou o desconforto das autoridades recém-empossadas no Egito.

Ontem, o presidente interino, Adli Mansour, reiterou que convocará eleições livres, sem marcar data. "Não vim ao poder por eleições, mas pela confiança dos revolucionários", justificou. "Não sou presidente para um mandato presidencial, mas para uma tarefa específica, até que tenhamos eleições."

Em nota, a Frente de Salvação Nacional, coalizão de partidos de oposição a Mohamed Morsi, reiterou que "não se trata de um golpe militar" e criticou a prisão de líderes da Irmandade Muçulmana. "O Egito é testemunha de que não há um golpe militar. Foi uma decisão necessária que as Forças Armadas tomaram para proteger a democracia, manter a unidade nacional, a integridade e restaurar a estabilidade."

Líder da Frente de Salvação Nacional, Mohamed ElBaradei, Prêmio Nobel da Paz em 2005, concedeu sua primeira entrevista à rede CNN na qual justificou as medidas. "Não é um golpe", disse. "Ou continuávamos sob o risco de uma guerra civil ou tomávamos medidas excepcionais para corrigir os rumos da revolução. Precisamos de um governo interino para restabelecer a segurança e a democracia."

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