REUTERS/Kevin Lamarque
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Rejeitado em 2016 para Suprema Corte, Garland é confirmado como novo secretário de Justiça dos EUA

Confirmação representou, em certa medida, uma vingança para o juiz, já que o Senado em 2016, então controlado por republicanos, recusou-se a considerar sua nomeação para a Suprema Corte indicado por Obama, em seu último ano de mandato

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 17h31

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos votou amplamente nesta quarta-feira, 10, para confirmar Merrick Garland como o novo secretário de Justiça americano, indicado pelo presidente Joe Biden. O juiz federal de apelação conquistou o apoio até mesmo do principal republicano da Casa, Mitch McConnell, que desempenhou um papel fundamental para negar a ele uma cadeira na Suprema Corte, em 2016, quando foi indicado pelo então presidente Barack Obama

A votação bipartidária no Senado liderado pelos democratas foi de 70-30 para confirmar Garland como a principal autoridade policial dos EUA, com vários nomes importantes do Partido Republicano - além de McConnell, os ex-presidentes da Comissão de Justiça Lindsey Graham e Chuck Grassley - se juntando aos democratas.

Garland, de 68 anos, assumirá o cargo em um momento de grande preocupação com o extremismo de direita no país. Ele assume um Departamento de Justiça que o ex-presidente republicano Donald Trump repetidamente tentou submeter à sua vontade. O ex-promotor federal também herda investigações delicadas em andamento, incluindo uma envolvendo o filho do novo presidente democrata.

"Estou votando para confirmar o juiz Garland por causa de sua longa reputação como um especialista legal", disse McConnell antes da votação. "Sua perspectiva de centro-esquerda está dentro da tendência legal." 

Sua confirmação representou, em certa medida, uma vingança para Garland. O Senado em 2016, então controlado por republicanos, recusou-se a considerar sua nomeação para a Suprema Corte indicado por Obama, em seu último ano de mandato. A Casa se recusou até mesmo a fazer uma audiência de confirmação. A maioria republicana liderada por McConnell não aplicou, porém, a mesma regra ao então presidente Trump, no ano passado, e permitiu que ele preenchesse uma vaga na Suprema Corte no seu último ano no cargo.

Garland foi indicada por Biden para liderar um departamento em meio a intensas investigações sobre o ataque mortal de 6 de janeiro ao Capitólio dos Estados Unidos por extremistas pró-Trump.

Garland chamou o ataque de "hediondo" e prometeu fazer da investigação uma de suas principais prioridades. Centenas de pessoas foram presas em conexão com o incidente, incluindo membros de grupos extremistas de direita.

Durante sua audiência de confirmação, Garland, em 22 de fevereiro, prometeu restaurar a confiança no departamento e protegê-lo de interferências políticas. 

Trump interferiu repetidamente nos assuntos do Departamento de Justiça, aplicando pressão para que beneficiasse seus amigos e aliados envolvidos em investigações criminais e para perseguir inimigos políticos. Os democratas acusaram o ex-secretário de Justiça William Barr de agir em nome pessoal e político de Trump, e não em benefício do sistema de Justiça dos EUA.

Garland também herdará algumas investigações que começaram durante a administração Trump, incluindo uma do conselheiro especial John Durham sobre a forma como o FBI lidou com a investigação da campanha presidencial republicana em 2016 e outra investigação tributária criminal sobre Hunter Biden, o filho do novo presidente Biden./REUTERS 

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