Relação com Irã não foi abalada, diz Amorim

Itamaraty espera que Teerã marque nova data para visita de presidente

Tânia Monteiro e Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

06 de maio de 2009 | 00h00

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou ontem que o adiamento da visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, "não provocou desgaste nenhum" entre os dois países. Amorim assegurou que, embora não haja uma nova data marcada para a visita, o Brasil tem todo o interesse na cooperação com os iranianos. O ministro avisou ainda que o convite para o presidente iraniano a ser eleito em 12 de junho "está de pé", seja Ahmadinejad ou algum opositor dele. Ao confirmar o convite, o ministro quis demonstrar que o Brasil está empenhado em ampliar a relação comercial entre os dois países - daí a manutenção da reunião entre os empresários dos dois países -, apesar do cancelamento da visita."Temos de esperar as eleições e, então, veremos quem vai ganhar. Mas o convite está de pé", afirmou Amorim. "Temos interesse em cooperação com o Irã porque não dialogamos apenas com países com os quais estamos de acordo", prosseguiu o ministro, que se referia às declarações de Ahmadinejad, na ONU, sobre o Holocausto, que provocaram reações de desaprovação pelo mundo. "Não estamos de acordo com algumas opiniões (do presidente iraniano). Já dissemos isso e não precisamos repetir."Embora o governo saiba que o cenário político não está confortável para a reeleição de Ahmadinejad - o que seria motivo principal do cancelamento da viagem -, o Planalto recebeu sinais de que o iraniano não gostou da nota do Itamaraty repudiando as declarações sobre o Holocausto. Manifestações contra o iraniano, também contribuíram para o cancelamento.Nas reuniões preliminares, o governo brasileiro alertou ainda o iraniano que o polêmico tema - racismo - não poderia entrar na pauta da visita e obteve a concordância dele para isso. O Brasil não quer estender esta polêmica porque não está interessado em contribuir para o isolamento do Irã ou em estigmatizar Teerã. Tem lembrado, até mesmo, o gesto do presidente americano, Barack Obama, que, ao assumir, mandou uma mensagem para o povo iraniano. Há quem avalie que, ao esperar o resultado das eleições, Ahmadinejad poderia desembarcar com mais cacife político para enfrentar as possíveis manifestações. EMPRESÁRIOSSem a presença do presidente, restou aos quase 50 empresários iranianos que chegaram ao Brasil no fim de semana cumprir os encontros econômicos e comerciais que já estavam agendados pelo Itamaraty em São Paulo. A instituição iraniana equivalente ao BNDES anunciou em março a criação de uma linha para financiar exportações do Irã para o Brasil no valor de US$ 220 milhões. Agora, o Irã aguarda que o Brasil adote a mesma medida. O assunto deve ser discutido amanhã em Brasília. FORA DO EIXOMahmoud AhmadinejadPresidente do Irã"Esses que um dia disseram que o Irã e a Síria eram parte do ?eixo do mal? agora querem ter relações conosco"Bashar AssadPresidente da Síria"Nós temos laços estratégicos que não constituem um eixo, como alguns sugerem, mas dá estabilidade e força à região. Nossa obrigação é fortalecer esses laços"

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