Relação duradoura e persistente

Bem-sucedida desde a 2ª Guerra, parceria entre EUA e Grã-Bretanha aborda as principais questões da atualidade

OBAMA É PRESIDENTE DOS EUA, CAMERON É PREMIÊ DA GRÃ-BRETANHA, BARACK OBAMA, DAVID CAMERON, THE WASHINGTON POST, OBAMA É PRESIDENTE DOS EUA, CAMERON É PREMIÊ DA GRÃ-BRETANHA, BARACK OBAMA, DAVID CAMERON, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2012 | 03h04

Sete décadas atrás, quando nossas forças começaram a virar a maré da 2.ª Guerra, o primeiro-ministro Winston Churchill viajou a Washington para coordenar nossos esforços conjuntos. Nossas vitórias no campo de batalha provaram "aquilo que pode ser alcançado quando britânicos e americanos trabalham juntos", disse ele. "Na verdade, somos levados a imaginar que, na possibilidade de manter o curso atual, não há praticamente nada que não possamos fazer, seja em matéria de guerra ou em termos dos problemas não menos complexos da paz."

O curso foi mantido - não apenas com a vitória na guerra pela nossa sobrevivência, mas também com a construção das instituições que sustentam a paz e a segurança no âmbito internacional. A aliança entre EUA e Grã-Bretanha é uma parceria de corações unidos pela História, pelas tradições e pelos valores que compartilhamos. Mas o que torna nosso relacionamento especial - um trunfo único e essencial - é o fato de podermos nos unir diante de tantos desafios. Em termos simples, contamos um com o outro e o mundo conta com a nossa aliança.

Enquanto economias que desempenham papéis de liderança mundial, coordenamos ativamente nossos esforços com os parceiros do G-8 e do G-20 para devolver o emprego às pessoas, manter a recuperação global e ajudar nossos amigos europeus, enquanto eles resolvem sua crise de endividamento e limitam as irresponsáveis práticas financeiras que custaram tanto aos nossos contribuintes. Estamos comprometidos com a expansão do comércio e do investimento que mantêm milhões de postos de trabalho nos nossos dois países.

Como os dois principais envolvidos na missão internacional no Afeganistão, temos orgulho do progresso que nossas forças alcançaram no desmantelamento da Al-Qaeda, na contenção do ímpeto do Taleban e no treinamento das forças afegãs. Mas, como evidenciam os acontecimentos recentes, essa missão continua sendo difícil. Honramos o profundo sacrifício de nossos soldados e, em nome deles, prosseguiremos na missão.

Nos próximos dias, faremos uma consulta mútua em preparação ao encontro da Otan em Chicago, onde nossa aliança vai determinar a próxima fase da transição que foi acertada em Lisboa. Isso inclui mudanças com o objetivo de assumir um papel de apoio, enquanto que as forças afegãs assumirão gradualmente a responsabilidade total pela segurança até 2014, garantindo também que a Otan mantenha uma presença duradoura de modo a evitar que o país volte a se tornar um santuário para a Al-Qaeda e impedindo o preparo de ataques contra nossos cidadãos.

Como membros da comunidade internacional, nos mostramos unidos na imposição de duras sanções ao regime iraniano, que deixou de cumprir suas obrigações internacionais. Acreditamos que há tempo e espaço para a busca de uma solução diplomática - e estamos coordenando nossa abordagem diplomática com China, França, Alemanha e Rússia, nossos parceiros do P5+1. Ao mesmo tempo, conforme os EUA passam a impor as mais rigorosas sanções já aprovadas e a União Europeia prepara-se para adotar um embargo ao petróleo iraniano, a escolha enfrentada por Teerã ficará cada vez mais clara: cumprir suas obrigações internacionais ou aceitar as consequências.

Enquanto dois países que defendem os direitos humanos e a dignidade de todos os povos, continuamos a nos colocar ao lado dos cidadãos de todo o Oriente Médio e Norte da África que exigem o respeito a seus direitos universais. Depois de participar da missão de proteção ao povo líbio no ano passado, apoiamos os esforços líbios no sentido da construção de instituições democráticas e da realização de eleições livres e justas este ano. Condenamos a abominável violência do regime sírio contra civis inocentes e estamos concentrados na urgente tarefa humanitária de levar alimentos e medicamentos àqueles que deles necessitam. Com nossos parceiros internacionais, continuamos a apertar o nó em torno do pescoço de Bashar Assad e seus aliados - e vamos trabalhar com a oposição e o enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, no planejamento da transição que se seguirá à queda de Assad.

Como dois dos países mais ricos do mundo, aceitamos nossa responsabilidade de líderes nos desenvolvimentos que permitam às pessoas viver com dignidade, saúde e prosperidade. Ao redobrar nossos esforços para salvar vidas na Somália, estamos investindo na agricultura para promover a segurança alimentar em todo o mundo em desenvolvimento. Trabalhamos para melhorar a saúde entre as mães e acabar com as mortes evitáveis entre as crianças. Com um compromisso renovado para com o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, estamos começando a ver o fim da pandemia de aids. Por meio de nosso programa Open Government Partnership, lutamos para tornar os governos mais transparentes e responsáveis.

Por fim, sendo dois povos que vivem em liberdade graças ao sacrifício de homens e mulheres de nossas Forças Armadas, estamos trabalhando juntos com uma intensidade nunca antes vista para cuidar bem deles em seu retorno para casa. Com novas colaborações de longo prazo para ajudar na recuperação de veteranos feridos, a assistência para a sua transição de volta à vida civil e o apoio às famílias de militares, reconhecemos que nossas obrigações diante dos soldados e veteranos perduram mesmo anos depois do fim da batalha.

Nossos soldados e cidadãos há muito mostraram aquilo que pode ser alcançado quando americanos e britânicos trabalham unindo seus braços e corações - e o motivo pelo qual nosso relacionamento continua essencial, para nossos países e para o mundo. Assim, como ocorreu com as gerações anteriores, vamos manter o curso. Pois, com a confiança em nossa causa e a fé um no outro, ainda acreditamos que não existe praticamente nada que não possamos fazer. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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