Ladyrene Perez/Cubadebate/AP
Ladyrene Perez/Cubadebate/AP

Relação entre EUA e Cuba não será normal enquanto houver embargo, diz Raúl

Presidente cubano discursou no encerramento da sessão anual do parlamento unicameral da ilha e pediu que Barack Obama utilize seus 'poderes executivos' para acabar com o bloqueio 

O Estado de S. Paulo

16 de julho de 2015 | 12h54

HAVANA - O presidente de Cuba, Raúl Castro, afirmou na madrugada desta quinta-feira, 16, que as relações entre seu país e os Estados Unidos não poderão ser normalizadas enquanto persistir o embargo à ilha, e pediu ao presidente americano, Barack Obama, que use seus "poderes executivos" para pôr fim ao bloqueio.

"Esperamos que Obama continue usando seus poderes executivos, ou seja, aqueles que pode usar como presidente sem interferências do Congresso, para desmantelar aspectos dessa política que causa danos e privações ao nosso povo", disse Castro em discurso na Assembleia Nacional de Cuba, onde encerrou a primeira sessão plenária das duas realizadas anualmente pelo parlamento unicameral da ilha.

A quatro dias para o restabelecimento oficial das relações diplomáticas entre Havana e Washington, com a abertura de embaixadas nos dois países, o líder cubano destacou que na segunda-feira será concluída a primeira fase do histórico processo iniciado em 17 de dezembro de 2014.

"Começará então uma nova etapa, longa e complexa, no caminho para a normalização das relações, que requererá vontade para encontrar soluções aos problemas que se acumularam por mais de cinco décadas e afetam os vínculos entre nossos países e laços", acrescentou.

Castro, porém, voltou a insistir que para ter relações completamente normais é necessário que, além de suspender o embargo, os EUA devolvam ao país o território "ilegalmente ocupado" pela Base Naval de Guantánamo.

No complexo caminho para o restabelecimento diplomático pleno, Cuba também exige que os americanos encerrem as transmissões ilegais de emissoras de rádio e televisão rumo à ilha, que eliminem os programas para promover "a subversão e a desestabilização internas" e que o país seja compensado pelos "danos humanos e econômicos" provocados pelas políticas de Washington.

Apesar de destacar que está disposto a avançar na normalização das relações com os EUA, Castro disse que "mudar tudo o que deve ser mudado é assunto soberano e exclusivo dos cubanos". O líder cubano destacou, porém, que os países podem "cooperar e coexistir civilizadamente em benefício mútuo, acima das diferenças que temos e teremos, contribuindo com a paz, segurança, estabilidade e igualdade no continente e no mundo".

Reavaliação. Os Estados Unidos estão prontos para remover Cuba da parte inferior de sua lista de piores centros de tráfico de pessoas, disseram fontes do governo americano, no que será outro passo na histórica reaproximação entre os antigos inimigos da Guerra Fria.

A melhora na posição colocaria Cuba na chamada "Lista de Observação Nível 2", em vez do Nível 3, onde estava há 12 anos em razão de acusações de tráfico sexual e do que autoridades americanas descreveram previamente como "trabalhado forçado com missões de trabalho do governo cubano no exterior".

A atualização está em um projeto de relatório que pode ser modificado no momento da publicação, prevista para este mês, disse um assessor do Congresso com conhecimento do relatório. Uma segunda fonte confirmou a atualização.

A reclassificação foi atribuída a uma cooperação melhor entre Washington e Havana sobre assuntos de tráfico de pessoas e melhor tratamento de vítimas, mas as fontes se negaram a fornecer detalhes específicos antes de o Departamento de Estado publicar o relatório anual sobre tráfico de pessoas.

O relatório, que aponta como "escravidão moderna" o trabalho forçado e o comércio sexual, geralmente é divulgado em junho, mas foi atrasado neste ano.

O Departamento de Estado se negou a confirmar a reclassificação. "Dado que o relatório ainda não está finalizado, não iremos comentar sobre quaisquer conclusões específicas", disse o porta-voz do Departamento de Estado John Kirby. / EFE e REUTERS

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