Relação entre os dois países atravessa o pior momento

Posição estratégica faz a Geórgia ser vital para a Rússia

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

As relações entre Rússia e Geórgia passam pelo pior momento da história. Os georgianos sempre foram aliados históricos de Moscou, mas as coisas fugiram do controle do Kremlin após a dissolução da União Soviética e a independência das repúblicas que a compunham.No início dos anos 90, sentindo que perdiam influência no Cáucaso, os russos apoiaram movimentos separatistas nas províncias georgianas da Abkházia e Ossétia do Sul. A influência russa lançou a Geórgia em duas guerras contra os rebeldes apoiados por Moscou, entre 1990 e 1993.''''Mesmo durante esse período, com os dois lados envolvidos num confronto aberto, Moscou não decretou nem um bloqueio econômico nem o fechamento de fronteiras, como fez agora'''', disse ao Estado o analista político russo Serguei Markedonov, do Instituto de Análise Política e Militar de Moscou.Markedonov lembra que a diplomacia russa, que sempre foi mais condescendente com as ex-repúblicas do Báltico, Moldávia e Ucrânia, nunca teve a mesma paciência com a Geórgia. O jogo duro do Kremlin explica-se pela posição estratégica que ocupa o território georgiano no Cáucaso. Boa parte da segurança energética da Rússia passa pelo domínio político da região.POLÍTICA DO GÁSA Gazprom, estatal russa detentora das maiores reservas de gás natural do mundo, tornou-se a principal fornecedora da Europa. Os russo têm projetos para ampliar o fornecimento de gás para os europeus, aumentando a dependência da União Européia do gás russo. Em janeiro de 2006, em pleno inverno, a empresa cortou o fornecimento de gás da Ucrânia, o que afetou o abastecimento para a Áustria, Itália, Hungria e Polônia.REVOLUÇÃO ROSAO temor de que a Rússia use o gás como ferramenta política fez a União Européia e os EUA elaborarem o projeto de um novo gasoduto, batizado de Nabuco, que importaria gás dos países da Ásia Central, passando pelo Mar Cáspio. Contudo, para chegar à Turquia, o gasoduto tem de passar pelo Cáucaso.O Azerbaijão, de tendência pró-ocidental, não faria objeção. O problema começa a seguir. A Armênia é aliada de Moscou e o Irã não é uma alternativa viável. A única saída seria a Geórgia, que a Rússia tenta desesperadamente controlar.A Revolução Rosa, de 2003, foi um golpe duro no Kremlin ao levar ao poder o presidente Mikhail Saakashvii, inimigo declarado de Moscou. Ele é favorável à entrada da Geórgia na UE e na Otan. Contrariados, os russos acusam os EUA de cooptarem uma importante ex-república soviética e atuarem em sua esfera de influência.Em resposta, a Rússia ameaçou com cortes de gás, fechamento da fronteira e restrições à importação de vinho e água mineral da Geórgia, ambos importantes produtos de exportação do país.O presidente Saakashvii acusa o Kremlin de praticar uma guerra econômica e denuncia o apoio russo aos separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, duas políticas que mantiveram a influência russa sobre a Geórgia, mas que intensificaram a tensão entre os dois países. RELAÇÕES TENSASRevolução Rosa: As relações da Geórgia com a Rússia se deterioram depois do movimento de 2003, que levou Mikhail Saakashvili, pró-Ocidente, ao poderRegiões dissidentes: Moscou e Tbilisi disputam as regiões rebeldes georgianas de Abkházia e Ossétia do Sul. Saakashvili quer voltar a controlar as regiões, que querem a independência ou a fusão com a RússiaRússia-EUA: A Rússia considera que os EUA passam dos limites na sua tradicional influência na Geórgia e no Cáucaso. Tbilisi busca estreitar os laços com Washington Gás: Dependência da Geórgia do gás russo tende a reduzir-se nos próximos anos, com a abertura de um gasoduto entre Azerbaijão e TurquiaEspiões: Conexões de transporte e comércio foram cortadas depois que a Geórgia exibiu na TV, em 2006, militares russos que disseram ser espiões. Embora algumas dessas ligações tenham sido retomadas, ainda não há vôos diretos entre as duas capitaisBases militares: A Rússia ainda tem duas bases militares na Geórgia, resquícios do período soviético, mas já se comprometeu a retirar suas tropas em 2008

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