Relator da ONU diz que repressão em Mianmar continua

Sergio Pinheiro fará uma visita de 5 dias ao país e exigirá acesso às prisões e a dirigentes de oposição

Efe,

25 de outubro de 2007 | 01h29

O relator especial da ONU para os Direitos Humanos em Mianmar, Sergio Pinheiro, disse nesta quinta-feira, 25, que a Junta Militar de Mianmar continua reprimindo a população pelas recentes manifestações a favor de uma mudança política. Veja tambémJunta Militar birmanesa nomeia general como novo premiêAnistia exige libertação de líder democrática em MianmarAustrália anuncia sanções contra a Junta Militar de Mianmar Após entregar um relatório à Assembléia Geral, ele disse à imprensa que "a repressão não parou em nenhum momento, apesar das exigências internacionais". "Recebi informação de que continuam detendo as pessoas e perseguindo quem teria participado dos protestos", acrescentou. O diplomata explicou que poderá fazer uma avaliação mais precisa da situação quando retornar de sua visita de cinco dias ao país. A Junta Militar aprovou na quarta-feira, 24, a sua entrada em Mianmar, negada em várias ocasiões desde 2003. A data exata da viagem ainda não foi marcada. Mas ele disse que deverá ser entre a visita do enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, na primeira semana de novembro, e a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que começa no dia 17 do mesmo mês. Pinheiro disse que exigirá o acesso às prisões e a dirigentes de oposição. Caso contrário, voltará imediatamente, como fez em 2003 quando descobriu microfones ocultos na sala onde se reunia com presos políticos. Em seu relatório à Assembléia Geral, o relator considera que as 10 mortes na repressão, admitidas pelos militares, estão muito abaixo dos números reais". Segundo suas fontes, de 30 a 40 monges budistas e de 50 a 70 civis morreram, e outras 200 pessoas foram feridas. No seu relatório, ele aponta que uma organização listou 775 nomes de detidos ou desaparecidos numa página da internet. Outras fontes denunciam que os detidos "em condições horríveis" chegaram a 3 mil. Pinheiro garantiu que as autoridades usaram armas de fogo, balas de borracha, gás lacrimogêneo, bastões de bambu, cassetetes e fundas na repressão dos protestos. "Isso explicaria as mortes e os graves ferimentos relatados", explicou. Além disso, constatou o uso de organizações civis governistas e milícias populares, que ajudaram a Polícia na repressão. O relatório cita testemunhas que comunicaram a execução de "assassinatos seletivos, para decapitar o incipiente movimento de oposição". O relator conclui seu relatório dizendo que um requisito para uma verdadeira transição democrática é a libertação de líderes de oposição e dos milhares de detidos na recente repressão.

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