Relator da ONU pede que Venezuela deixe opositores em paz

Investigador da organização exige que governo suspenda prisão do principal acionista da TV Globovisión

Reuters e AP, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 00h00

GENEBRA

Frank la Rue, investigador de direitos humanos da ONU e relator especial para a liberdade de expressão, pediu ontem ao governo da Venezuela que revogue o mandado de prisão contra o empresário Guillermo Zuloaga, principal acionista do canal de TV Globovisión, de oposição. Segundo ele, o presidente Hugo Chávez "não tem o direito de calar seus críticos por meio de processos judiciais".

La Rue afirmou que a "perseguição" ao empresário é uma prova da contínua deterioração da liberdade de imprensa no país. "Nenhum governo tem o direito de silenciar com procedimentos criminais os críticos ou os que se opõem ao Estado", disse.

O relator da ONU suspeita que o mandado de prisão contra o opositor tenha sido "politicamente motivado". Ontem, La Rue pediu também que seja revogada a ordem de prisão contra o filho do empresário, Guillermo Zuloaga Siso. "Não é a primeira vez que funcionários da Globovisión, incluindo Zuloaga, são criminalmente perseguidos por causa do exercício do seu direito à liberdade de expressão", afirmou o funcionário da ONU.

A Venezuela disse que pedirá à ONU a destituição de La Rue por "interferência em assuntos internos". Acusado de abuso do poder econômico, Zuloaga está foragido desde a semana passada. Funcionários da Globovisión confirmaram que ele está fora do país, mas não revelaram onde. Segundo autoridades venezuelanas, o empresário responde a uma série de irregularidades envolvendo uma agência de venda de automóveis de sua família.

Para Zuloaga, o objetivo da ação judicial é constranger e evitar a atuação da Globovisión. "A emissora se manterá comprometida com o exercício do jornalismo para informar sobre as realidades que o governo tenta calar", disse por telefone à emissora.

Intervenção. Na segunda-feira, o Banco Federal, que pertence a outro sócio da Globovisión, Nelson Mezerhane, sofreu intervenção do governo. As autoridades alegaram problemas de liquidez e risco de fraude. O banco administrava a folha de pagamentos da TV, cujos funcionários agora temem não receber seus salários.

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