Relator da ONU visita região arrasada por ciclone em Mianmar

Cerca de 138 mil pessoas morreram e desapareceram quando o ciclone Nargis atingiu o delta do rio Irrawaddy

Efe,

05 de agosto de 2008 | 04h45

O relator das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Mianmar, Tomás Ojea Quintana, viajou nesta terça-feira, 5, à região sul do país, atingida em maio pelo ciclone Nargis, onde prosseguem as tarefas de assistência aos cerca de 2,5 milhões de desabrigados. A viagem de Ojea Quintana ocorre três meses depois de a comunidade internacional acusar a Junta Militar birmanesa de bloquear a entrada no país da ajuda e dos trabalhadores de organizações humanitárias. Cerca de 138 mil pessoas morreram e desapareceram quando o ciclone Nargis atingiu o delta do rio Irrawaddy. O relator, que participa de sua primeira missão oficial em Mianmar, se reuniu na segunda-feira, um dia após sua chegada, com representantes das agências humanitárias da ONU e funcionários do governo encarregados de tarefas de assistência e de reconstrução da infra-estrutura do delta. Ojea Quintana substituiu no posto o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, em maio, depois que o regime do general Than Shwe negou ao último o visto de entrada no país, em resposta a suas denúncias sobre a contínua repressão em Mianmar. O argentino Ojea Quintana, que foi convidado pela Junta Militar, permanecerá no país até a próxima quinta-feira, segundo fontes diplomáticas. A visita de Ojea Quintana precede a que deve ser realizada em meados de agosto pelo representante especial da ONU, Ibrahim Gambari, que em quatro ocasiões tentou convencer a Junta Militar a realizar reformas democráticas. Também pediu ao governo para que liberte os presos políticos, incluindo Aung San Suu Kyi, líder da Liga Nacional pela Democracia (LND) e Prêmio Nobel da Paz, e que permanece em prisão domiciliar desde 2003.

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