François Mori/ AP Photo
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Relatora da ONU pede sanções contra príncipe da Arábia Saudita por morte de jornalista

Relatório aponta 'evidências confiáveis' da culpa do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman na morte do jornalista Jamal Khashoggi em consulado na Turquia

Reuters, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2019 | 08h09

GENEBRA - Evidências apontam que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, e outros oficiais sauditas são responsáveis pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. A afirmação foi feita por um investigador da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira, 19.

Agnes Callamard, relatora especial da ONU em execuções extrajudiciais, aconselha os países a adotar sanções contra o príncipe herdeiro e seus bens até que que ele consiga provar que não tem nenhuma responsabilidade sobre o crime. Riade, capital da Arábia Saudita, não comentou as acusações, mesmo após receber o relatório de cem páginas. O reino do Oriente Médio, no entanto, nega qualquer involvimento de seu príncipe no crime.

Em 2 de outubro de 2018, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, crítico do príncipe herdeiro saudita e exilado nos Estados Unidos, desapareceu depois de entrar no consulado de seu país em Istambul, na Turquia. Ele foi à representação providenciar papéis para se casar com sua noiva turca, Hatice Cengiz, que o esperava do lado de fora. Khashoggi nunca mais foi visto.

Callamard viajou à Turquia no começo do ano acompanhada de uma equipe forense e de especialistas para coletar evidências junto às autoridades turcas. "Há evidências confiáveis que garantem investigações mais profundas sobre a responsabilidade individual de altos oficiais da Arábia Saudita. Isso inclui o príncipe herdeiro do país", disse Callamard.

Seu corpo, esquartejado e retirado do prédio do consulado, nunca foi encontrado. "A conclusão da relatora especial é que Khashoggi foi vítima de uma deliberada e premeditada execução. Foi um assassinato extrajudicial do qual o estado da Arábia Saudita é responsável de acordo com as leis de direitos humanos internacionais", afirmou Callamard em seu relatório, baseado em seis meses de investigação.

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