Relatório acusa inteligência paquistanesa de apoiar terrorismo

Um relatório confidencial do Ministérioda Defesa britânico acusa o ISI (serviço secreto paquistanês) de fazer jogo duplo ao combater o terrorismo e, ao mesmo tempo, apoiá-loindiretamente, por meio de uma coalizão de partidos religiosos. A publicação do relatório, ao qual a rede BBC teve acesso, coincide com a visita ao Reino Unido do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, que se reúne nesta quinta-feira com Tony Blair, na residência do primeiro-ministro em Chequers, perto de Londres. O relatório afirma que o apoio do ISI aos talebans por meio da coalizão de partidos religiosos MNA é "cada vez mais objeto de um rigoroso exame internacional". Além disso, critica a políticaoficial britânica de apoiar Musharraf. "Indiretamente, através do ISI, o Paquistão apoiou o terrorismo e o extremismo, nos ataques contra Londres de 7 de julho de 2005, no Afeganistão e no Iraque", escreve o autor do relatório, cujo nomenão foi divulgado. O documento propõe utilizar os vínculos entre comandantes militares britânicos e paquistaneses para tentar convencer Musharraf a deixar o poder, aceitar eleições livres e desmontar a estrutura doISI. Em declarações, Pervez Musharraf desmentiu taxativamente as acusações e defendeu o ISI. "Rejeito essas afirmações totalmente. Ninguém, nem o Ministério da Defesa britânico, pode vir me dizer que tenho que desmontar o ISI", afirmou Musharraf. O presidente paquistanês qualificou esse serviço de inteligência de "força disciplinada, que quebrou a espinha dorsal da Al-Qaeda", edisse que não teria sido possível "capturar 680 pessoas se o ISI não fizesse um trabalho excelente". O relatório afirma ainda que a Guerra do Iraqueprovocou uma radicalização entre os muçulmanos e serviu para "recrutar extremistas no mundo islâmico". "As forças armadas britânicas se transformaram em reféns no Iraque após o fracasso da tentativa do chefe do Estado-Maior de tirar as tropas de lá para combater no Afeganistão. O resultado é que agora lutamos e parecemos estar perdendo, ou podemos perder, nas duas frentes", critica o relatório. Um porta-voz do Ministério da Defesa explicou que o relatório, elaborado por um centro de estudos militares, não representa o ponto de vista do Ministério nem do governo britânico. Segundo o porta-voz, o documento chegou àImprensa "precisamente com a intenção de prejudicar as relações entre os dois países". "O Paquistão é um aliado-chave em nossos esforços para combater o terrorismo internacional. As suas forças de segurança fizeram consideráveis sacrifícios na luta contra a Al-Qaeda e os talebans", acrescentou o porta-voz.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.