Relatório alerta sobre possível desastre nuclear no Irã após vírus

Ataque cibernético poderia causar explosão semelhante à de Chernobyl, aponta relatório

Agência Estado

31 de janeiro de 2011 | 18h02

VIENA - O vírus que infectou os sistemas de controle da usina nuclear iraniana de Bushehr poderia ter causado um desastre como o de Chernobyl assim que a usina iraniana passar a operar com plena capacidade, informa um relatório da inteligência internacional.

 

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O enviado russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Dmitry Rogozin, falou sobre a possibilidade da explosão de um reator em Bushehr como a ocorrida em 1986 na Ucrânia, mas deu a entender, na semana passada, que o perigo havia passado.

 

O relatório, escrito por um país que monitora de perto o programa nuclear iraniano, obtido pela agência de notícias Associated Press, diz que tais conclusões são prematuras e baseadas em "avaliações casuais" de cientistas russos e iranianos em Bushehr. Com os sistemas de controle prejudicados pelo vírus, porém, o reator teria a força de uma "pequena bomba nuclear", diz o documento.

 

Segundo o relatório, "o mínimo dano possível seria o derretimento do reator", advertindo que "porém, dano externo e grande destruição ambiental também podem ocorrer, algo semelhante ao desastre de Chernobyl". O vírus, conhecido como Stuxnet, pode fazer com que as centrífugas girem fora de controle, prejudicando temporariamente o programa de enriquecimento de urânio do Irã.

 

Acredita-se que o vírus tenha sido implantado por Israel ou pelos Estados Unidos, dois países que estão convencidos de que o Irã quer produzir combustível nuclear para alimentar armas atômicas. O Irã reconheceu que o vírus atingiu laptops de técnicos que trabalham em Bushehr, mas negou que a usina tenha sido afetada ou que o Stuxnet tenha sido responsável por atrasos no início das operações do reator, construído pelos russos.

 

A República Islâmica reluta em reconhecer atrasos em suas atividades nucleares, que, segundo o governo, têm como objetivo gerar energia, mas estão sob sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) por causa dos temores sobre a construção de armas. As informações são da Associated Press.

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