Relatório ameaça Olmert, dizem jornais israelenses

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, deve ser duramente criticado por suas decisões e ações em relação à guerra no Líbano em um relatório que será divulgado nesta segunda-feira, 30. Algumas informações do inquérito parcial do chamado Comitê Winograd, que avaliou os acontecimentos que levaram à guerra de julho e agosto de 2006 e os primeiros cinco dias do conflito, vazaram para a imprensa durante o fim-de-semana e antecipam que o premiê será alvo de duras críticas.De acordo com os jornais israelenses desta segunda-feira, Olmert deve ser acusado de ter sido precipitado em ir à guerra e demostrado fraqueza ao lidar com os comandantes militares do país.O ministro da Defesa, Amir Peretz, deve ser acusado de inexperiência e falta de visão. Os jornais especulam que Olmert, cuja popularidade junto ao público israelense já está bastante baixa, pode ter seus dias no governo contados após a publicação do relatório.Renúncia Segundo a edição desta segunda-feira do jornal independente Haaretz, um dos principais integrantes do partido Kadima, de Olmert, teria dito neste domingo que o grupo deve pedir ao primeiro-ministro que ele renuncie ao cargo para evitar ""que o partido afunde juntamente com ele".De acordo com a fonte, que não foi identificada, Olmert pode ser expulso após a publicação final do relatório Winograd, aguardada para o fim de junho.Um editorial do diário de centro-direita Maariv pergunta: "Quando esta (renúncia) vai ocorrer? Será após a leitura do Relatório do Comitê Winograd? Ehud Olmert vai sentar em frente à TV, morder suas unhas e de repente dizer a sua esposa: Basta! Estou indo para a casa??"O texto continua dizendo que o crédito que o público deu a Olmert "acabou há muito tempo, mas parece que o processo de absorver a realidade é muito mais lento" e defende a renúncia de Olmert.Já o jornal centrista Yediot Aharonot acredita que existam esperanças para o premiê : "Olmert tem uma chance não muito insignificante de sobreviver à primeira onda. Muitos líderes israelenses perderam a confiança do público e depois ganharam uma segunda chance".O jornal ressalta, no entanto, que ?nenhum deles foi bem-sucedido em se reabilitar durante seu mandato. Olmert acredita que será o primeiro.?Conflito de 2006 A captura de dois soldados israelenses pelo grupo libanês Hezbollah em julho de 2006 iniciou um violento conflito de 34 dias no sul do Líbano.Israel realizou uma grande ofensiva militar contra militantes do Hezbollah, destruiu grande parte da infra-estrutura libanesa e impôs um bloqueio aéreo e marítimo ao país vizinho.O Hezbollah, por sua vez, lançou milhares de morteiros em direção ao norte de Israel. Cerca de 1,2 mil libaneses e 160 israelenses foram mortos e os dois lados afirmam ter saído vitoriosos do conflito.No meio de agosto, um cessar-fogo foi declarado e uma força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) que já exisita no sul do Líbano foi reforçada.Os dois soldados israelenses capturados continuam em poder do Hezbollah.

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