Relatório aponta falhas em resgate após atentados em Londres

As graves deficiências dos serviços de emergência atrapalharam o trabalho de resgate nos atentados contra arede de transporte de Londres, no dia 7 de julho, segundo informa um relatório oficial publicado nesta segunda-feira no Reino Unido.O documento apresenta as conclusões de uma investigação de seis meses feita por uma comissão da Assembléia londrina (organismo legislativo que controla a gestão da Prefeitura) sobre o trabalho dos serviços de emergência nos atentados ocorridos na capital inglesa.Os ataques, praticados por quatro suicidas que detonaram bombas em três vagões do metrô e em um ônibus urbano, mataram 56 pessoas e deixaram aproximadamente 700 feridos.O relatório elogia o "incrível" heroísmo demonstrado pelosserviços de emergência, mas denuncia os sérios problemas de comunicação durante a operação de resgate e a falta de material médico para socorrer os feridos.Segundo a comissão que investigou o auxílio às vítimas no dia dos atentados, o metrô "necessita de um sistema de comunicação (por rádio) para os serviços de emergência", um "ponto precário" que dificultou os resgates."É inaceitável que os serviços de emergência, à exceção daPolícia Britânica de Transporte, ainda não sejam capazes de se comunicar quando trabalham no subsolo", afirma o texto escrito no documento.Problemas de comunicaçãoAlém disso, efetivos do Serviço de Ambulâncias de Londrespassaram por graves problemas de comunicação porque os telefones celulares não funcionaram adequadamente devido "a um congestionamento de rede", um efeito que "deveria ter sido previsto".Esse inconveniente - assinala o texto - "impediu o desdobramento da quantidade necessária de ambulâncias nos lugares apropriados".O problema se agravou com o conseqüente fechamento temporário da rede de telefonia celular ordenado pela Polícia local, decisão tomada sem consultar os responsáveis pelo trabalho de resgate.O diálogo durante as operações de busca das vítimas ficou tão precário que, em algumas ocasiões, a comunicação entre os serviços de emergência teve de ser feita através de "mensageiros" que corriam de um ponto a outro.Erros inaceitáveis Segundo Richard Barnes, presidente da investigação, queapresentou nesta segunda-feira o relatório na Prefeitura, "é inaceitável que, no século XXI e em uma das cidades mais sofisticadas e adiantadas tecnologicamente do mundo, os serviços de emergência tenham que depender de mensageiros para obter e trocar informação".O documento também critica a falta de equipamentos médicos de primeiros socorros nas regiões onde as bombas explodiram."Houve uma escassez de material básico, como macas e cartões de classificação de vítimas, e de provisões essenciais como líquidos", segundo os investigadores.Além disso, muitos sobreviventes com stress pós-traumático "não receberam o apoio ou o aconselhamento necessário", sendo dispensados do tratamento médico logo após o resgate.O Serviço de Saúde britânico (NHS, em inglês) calcula queaproximadamente quatro mil pessoas foram afetadas pelas explosões, mas "as autoridades não têm conhecimento nem de três mil ", explicou Richard Barnes."Os planos de emergência de Londres foram provados, praticados e melhorados, mas o dia 7 de julho deixou claro que as necessidades de muitas pessoas afetadas pelos ataques foram ignoradas", concluiu Barnes, ao pedir uma revisão desses planos.Após a divulgação do relatório, uma das vítimas do massacre, Rachel North, 35 anos, que sobreviveu ao atentado ocorrido nas imediações da estação de metrô de Russell Square, no centro de Londres, onde 26 pessoas morreram, opinou que o documento mostra "uma grande quantidade de problemas no planejamento e nos recursos"para situações emergenciais.North indicou que essa indagação tem "um alcance limitado" e reivindicou uma investigação pública dos atentados em Londres, embora esse pedido já tenha sido rejeitado pelo Governo britânico sob o argumento de que este trabalho seria muito caro e absorveria fundos originalmente destinados à luta antiterrorista.O porta-voz oficial do primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, disse, no entanto, que o Governo "estudará o relatório com detalhe".

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