Relatório aponta novos crimes de rebeldes sírios

Combatentes rebeldes liderados por jihadista mataram, pelo menos, 190 civis e raptaram mais de 200 pessoas na Síria durante uma ofensiva contra aldeias que defendem o regime do presidente Bashar Assad, segundo a organização Human Rights Watch.

AE, Agência Estado

11 de outubro de 2013 | 08h45

Os ataques contra civis desarmados em mais de uma dúzia de aldeias na província costeira de Latakia ocorreram em 4 de agosto. Em um relatório de 105 páginas com base em uma visita à área, o grupo disse que a ofensiva foi sistemática e poderia até ser considerada como um crime contra a humanidade.

Testemunhas afirmam que os rebeldes realizaram ataques de casa em casa, matando famílias inteiras em alguns casos. Em outros, eles assassinaram os homens e tomaram mulheres e crianças como reféns. Os moradores pertencem à seita alauíta, de minoria no país, que muçulmanos sunitas extremistas consideram heréticos. A seita é uma ramificação do islamismo xiita e forma a espinha dorsal do regime do presidente Bashar Assad.

Lama Fakih do Human Rights Watch disse que os abusos de rebeldes em Latakia "certamente constituem crimes de guerra" e podem até ser considerados como crimes contra a humanidade.

Segundo a organização, mais de 20 grupos rebeldes participaram da ofensiva em Latakia. Cinco grupos, incluindo dois ligados à al-Qaeda e outros com inclinações jihadistas, lideraram a campanha, que parecia ter sido financiada em parte por doações privadas levantadas no Golfo Pérsico, disse o relatório.

O Human Rights Watch pediu para que os países do Golfo interrompam essas transferências de dinheiro. A organização também fez um apelo para que a Turquia processe as pessoas ligadas a crimes de guerra e restrinja o fluxo de armas e combatentes. A oposição síria que tem o apoio do Ocidente deve cortar os laços com os grupos que lideraram a ofensiva em Latakia.

A ofensiva começou quando combatentes rebeldes capturaram três postos de regime e, em seguida, as aldeias. Após a queda das posições do regime, nenhuma tropa pró-governo foi deixada nas aldeias alauítas. As forças do governo só conseguiram recuperar todas as aldeias duas semanas depois.

O Human Rights Watch disse que, pelo menos, 67 dos 190 civis mortos pelos rebeldes foram assassinados à queima-roupa ou ao tentar fugir. Há sinais de que a maioria dos outros também foi morta intencionalmente ou de forma indiscriminada, mas mais análises ainda são necessárias, disse o grupo.

Os rebeldes sequestraram mais de 200 civis das aldeias alauítas, cuja maioria era composta de mulheres e crianças, e pediram para trocar os reféns por prisioneiros detidos pelo regime. Fonte: Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
síriaviolência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.