Relatório britânico diz que Iraque planeja usar armamento não convencional

Segundo o relatório tornado público nesta terça-feira pelo Governo britânico, o Iraque tem planos militares para utilizar armamento não convencional. O presidente iraquiano, Saddam Hussein, pretende usar esse armamento inclusive contra seu próprio povo, explica o documento, que assegura que algumas dessas armas podem ser utilizadas em um prazo de apenas 45 minutos após a emissão da ordem. Caso as sanções da ONU impostas ao Iraque sejam canceladas, o relatório destaca que Saddam poderia produzir armas nucleares no período mínimo de 12 meses. O relatório afirma ainda que Saddam Hussein tentou conseguir "quantidades significativas" de urânio na África, apesar de seu país não contar com instalações civis de energia nuclear. O Iraque tentou "adquirir tecnologia e materiais que podem ser usados na produção de armamento nuclear de modo encoberto". O relatório será debatido nas próximas horas pelo Parlamento britânico. O documento afirma ainda que o país árabe conserva até 20 mísseis "Al Hussein", com um alcance de 650 km e que podem ter ogivas químicas ou biológicas. Além disso, desenvolveu laboratórios móveis para uso militar, "o que confirma os relatórios prévios sobre a produção móvel de agentes para a guerra biológica". Provas obtidas pelos serviços secretos mostram que o Iraque se prepara para ocultar indícios destas armas, incluindo documentos comprometedores, nas novas inspeções de armamento que será feito pela ONU. O prefácio escrito pelo primeiro-ministro, Tony Blair, assegura que o relatório foi feito a partir de informações obtidas pelo Comitê Conjunto de Serviços de Inteligência. Sobre Saddam Hussein, Blair disse que ele é uma ameaça séria e vigente e que seu programa de armamento não convencional teve progressos. ?Caso os inspetores da ONU voltem ao seu país, ele fará tudo que for possível para tentar ocultar suas armas?.Na semana passada, Saddam Hussein disse que aceitaria novamente os inspetores de armas da ONU em seu país. Mas para Grã-Bretanha, seria importante a aprovação de uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU muito mais dura contra o Iraque. Caso Bagdá não cumpra a resolução das Nações Unidas, o Governo londrino ameaça participar de uma ofensiva militar ao lado dos Estados Unidos.

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