Relatório coordenado por Nobel da Paz diz que 78 países usam minas terrestres

A Campanha Internacional para a Proibição das Minas Antipessoais (ICBL, em inglês), organização humanitária encabeçada por Jody Williams que recebeu o Nobel da Paz em 1997, divulgou nesta quarta-feira um relatório no qual alerta sobre a diminuição de doações em 2005 para a eliminação das minas.O documento aponta também que pelo menos três Governos - Rússia, Nepal e Mianmar - utilizaram minas antipessoais em 2005 e 2006, assim como grupos rebeldes de cerca de dez países, mas o maior número de acidentes ocorridos em 2005 por esse tipo de arma foi registrado na Colômbia. "O uso de minas no mundo é cada vez menor, embora elas ainda possam ser encontradas em pelo menos 78 países e, embora acreditemos que o Vietnã não as produza mais, também sabemos que os Estados Unidos trabalham em um novo tipo chamado ´Spider´", disse o diretor da ICBL, Stephen Goose, em uma coletiva oferecida na sede das Nações Unidas, em Genebra.ConferênciaA publicação do documento "Rumo a um mundo sem minas" acontece uma semana antes da sétima conferência dos 151 Estados pertencentes à Convenção de Ottawa na mesma cidade. A conferência contará, neste ano, com a presença de Brunei, Ilhas Cook e Ucrânia. O objetivo da convenção é a completa eliminação desse tipo de arma.Os responsáveis pelo relatório mostraram sua satisfação pelo "caminho percorrido em direção a esse mundo sem minas em 2005", ano em que, segundo Goose, houve a limpeza de mais terrenos. Foram tiradas as minas de 740 quilômetros quadrados - área semelhante à de Nova York.Desse total, quase 145 quilômetros quadrados eram áreas minadas e 190, campos de combate. No total, foram retiradas e destruídas mais de 470 mil minas terrestres, incluindo cerca de 450 mil minas antipessoais e mais de 3,75 milhões de artefatos explosivos.Entre os avanços alcançados, destaca-se o progresso na Guatemala e no Suriname, que concluíram a limpeza de todas as áreas minadas em 2005.Vítimas aumentaramMesmo assim, aumentou em 11% o número de vítimas em 2005, que chegou a 7.328 em 58 países. No entanto, Goose disse que, "normalmente, o número real de feridos é o dobro do registrado".Segundo o relatório, mais de 80% das novas vítimas foram civis. Deles, 24% morreram e 21% eram crianças. O documento também atribui o aumento ao agravamento dos conflitos em Mianmar, Índia, Nepal, Paquistão e Colômbia. Só no território colombianos, foi registrado o maior número de feridos em 2005 por minas, 1.110.Em 2005, sete novos países registraram vítimas de minas antipessoais: Chile, Honduras, Quênia, Moldávia, Marrocos, Namíbia e Peru. Estes países não haviam registrado nenhum caso em 2004.Atendimento às vítimasOs fundos destinados a iniciativas contra as minas diminuíram pela primeira vez na história (ao passar de US$ 399 milhões para US$ 376 milhões), o que preocupa os responsáveis da campanha, que temem não poder destruir todas elas e não atender devidamente os sobreviventes, que já são, no total, cerca de meio milhão.Segundo o documento, até agora, em dez dos 58 países onde foram registradas novas vítimas de minas, os programas para atendê-las não são suficientes.A União Européia, os Estados Unidos e outros oito grandes doadores reduziram em 2005 seu apoio à ação contra as minas, que inclui a limpeza das áreas, a educação sobre o risco das minas, a destruição de reservas, a ajuda às vítimas e a promoção da proibição deste tipo de arma.Com esses cortes, o Iraque teve uma redução de US$ 30,9 milhões em sua ajuda (menos 53%), o Afeganistão, US$ 25 milhões (menos 27%) e o Camboja, US$ 17,7 milhões (menos 43%).Destruição das minasOutro ponto pendente destacado pelos responsáveis da campanha são os 29 países que ainda têm que destruir todas as minas antipessoais de seu território em 2009 e 2010. Na opinião de Goose, no entanto, "13 deles terão dificuldades" para fazer isso, entre eles Bósnia-Herzegovina, Camboja, Moçambique e Tailândia.Os signatários do tratado - entre os quais não se encontram EUA, China e Rússia - comprometeram-se a acabar com o processo de destruição das minas em dez anos.Goose, além disso, disse estar confiante em que esses três países "se somarão eventualmente ao tratado, embora seja necessário saber quanto tempo eles levarão para fazer isso".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.