Relatório critica atuação policial em massacre norueguês

Autoridades norueguesas poderiam ter evitado ou interrompido os ataques à bomba e os disparos feitos por Anders Behring Breivik, que resultaram nas mortes de 77 pessoas no ano passado, segundo o relatório de uma comissão do governo, divulgado nesta segunda-feira.

AE, Agência Estado

13 de agosto de 2012 | 12h02

O aguardado documento sobre os ataques de 22 de julho também diz que a inteligência doméstica poderia ter feito mais para rastrear o atirador, mas não chegou a dizer que poderia tê-lo impedido.

Breivik, de 33 anos, assumiu a responsabilidade pela explosão nas proximidades da sede do governo, em Oslo, que matou oito pessoas, e os subsequentes disparos num acampamento juvenil que deixou 69 mortos.

Embora reconheça que os ataques "talvez tenham sido os mais chocantes e incompreensíveis atos já ocorridos na Noruega", o relatório de 500 páginas diz que o ataque à bomba "poderia ser sido evitado" se medidas de segurança já tivessem sido implementadas com mais eficiência".

Breivik conseguiu estacionar uma van com uma bomba, fabricada com fertilizantes, do lado de fora do prédio antes de pegar um outro carro e se dirigir ao acampamento juvenil na ilha de Utoya, sem ser abordado.

O documento diz que o carro-bomba "no complexo do governo e ataques coordenados são cenários recorrentes em avaliações de ameaças, assim como de análises de segurança e exercícios desses cenários há muitos anos"

A resposta da polícia também foi prejudicada por uma série de erros, dentre eles falhas dos sistemas de comunicação e a quebra de um barco, superlotado, que levava a unidade antiterrorismo da polícia. E o único helicóptero da polícia norueguesa não foi usado, pois a tripulação estava de férias. Breivik realizou os disparos por mais de uma hora antes de se entregar à polícia.

O relatório diz que uma respostas policial mais rápida poderia ter interrompido os disparos mais cedo, mas reconhece que "quase ninguém poderia ter imaginado" o ataque em Utoya.

"Infelizmente, porém, após vários massacres em escolas em outros países, um homem armado, que atira contra adolescentes é realmente concebível, também na Noruega", diz o documento.

Embora Breivik tenha admitido os ataques, ele rejeitou a culpa criminal durante seu julgamento, afirmando que as vítimas haviam traído o país ao aderirem a uma sociedade multicultural.

Os promotores disseram que há dúvidas sobre sua sanidade mental e propuseram que Breivik seja colocado sob tratamento psiquiátrico em vez de enviado à prisão. A sentença será anunciada em 24 de agosto. As informações são da Associated Press.

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