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Relatório critica dados que justificaram guerra do Iraque

Segundo um relatório divulgado nesta sexta-feira após um ano de investigação por Thomas Gimble, inspetor-geral interino do Pentágono, o então chefe da política de Defesa dos EUA, Douglas Feith, teria usado informações questionáveis sobre a ligação de Saddam Hussein com a Al-Qaeda para justificar a invasão de 2003. De acordo com esse relatório, Feith agiu de forma inconsistente com a opinião da comunidade de inteligência ao declarar que havia uma "madura relação simbiótica" entre o Iraque e a Al-Qaeda. Gimble concluiu que Feith foi autorizado por dirigentes do Pentágono a procurar análises alternativas, e que suas ações foram legais, embora "inapropriadas", por "não mostrarem claramente a variância em relação ao consenso da comunidade de inteligência", segundo o sumário de duas páginas do relatório. Vários membros do governo, inclusive o vice-presidente Dick Cheney, alegaram na época que o regime de Saddam Hussein tinha vínculos com a Al-Qaeda, talvez mesmo com relação direta com os atentados de 11 de setembro de 2001. Outros, como o então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, ficaram insatisfeitos com uma avaliação da CIA que não enfatizou tal ligação. Feith, que deixou o governo em 2005, se disse satisfeito com a conclusão de que agiu legalmente, mas considerou "absurda" a tese de que seus atos foram inadequados. "É claro que divergia do consenso. Foi uma crítica a esse consenso. É por isso que foi escrita". declarou ele em nota. Investigações independentes posteriores, inclusive da comissão de inquérito do 11 de setembro, jamais encontraram provas de colaboração entre o antigo regime iraquiano e o grupo de Osama bin Laden. O atual secretário de Defesa, Robert Gates, não quis comentar o conteúdo do relatório, mas disse que "se a inteligência é inadequada, então mudanças devem ser feitas naquelas instituições para melhorar a inteligência". O relatório da inspetoria geral, encomendado pelo Senado, diz que não são necessárias providências porque as mudanças ocorridas desde então no Pentágono e na liderança da comunidade de inteligência evitam que os fatos se repitam.

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