Relatório da Anistia Internacional ataca EUA frontalmente

Os Estados Unidos cometeram abusos brutais contra os direitos humanos através da terceirização de parte de suas atividades chaves no Iraque, a exemplo da utilização de funcionários de grupos de segurança privados que atuam acima da lei iraquiana. A conclusão é do mais recente relatório da Anistia Internacional, divulgado nesta terça-feira.O documento detalha as violações dos direitos humanos em mais de 150 países. "Nós estamos preocupados com o uso de funcionários privados no Iraque pois eles criam um buraco negro de responsabilidade", disse a secretária-geral da Anistia, Irene Khan. "Estes funcionários são protegidos de serem processados sob as leis iraquianas, mas eles não fazem parte do comando militar americano. Então, quando cometem crimes, ou quando abusam dos direitos humanos, não precisam responder a ninguém", afirma Khan.Um relatório feito pelo Escritório de Contas do Governo dos EUA no ano passado informa que o monitoramento deste funcionários no Iraque era tão fraco que não existia modo de determinar quantos destes contratados estavam trabalhando na segurança, em projetos de reconstrução ou quantos deles foram mortos.O relatório anual da Anistia afirma que a busca inexorável de segurança pelos Estados Unidos, e outras nações poderosas, minaram os direitos humanos ao redor do mundo, acabando com a energia e com a atenção às crises que aflige os pobres e desprivilegiadas.A Anistia também exigiu o fechamento da base americana localizada na baia de Guantánamo, uma mudança de estratégia no Iraque e mais esforços para acabar com os abusos aos direitos humanos no Sudão.Grupos de direitos humanos têm criticado ferozmente as políticas dos EUA e seus aliados desde os ataques de 11 de setembro de 2001. Segundo eles, direitos conquistados após longas batalhas e liberdades civis estão sendo sacrificadas em nome do "combate ao terror".A Anistia diz que o uso de funcionários privados - que atuaram como interrogadores no escândalo da prisão de Abu Ghraib, em Bagdá, e têm aplicado os mesmos tipos de tratamento a prisioneiros no Afeganistão - está sendo escondido. Também pede que o governo americano invista no ensino das leis dos direitos humanos aos seguranças privados, enfatizando os procedimentos de investigação e processando os funcionários suspeitos de abusos. Parceiros no crimeA Anistia acusou ainda os EUA, China, Rússia e outras nações poderosas de perseguirem interesses nacionais e desistirem de seus esforços para ajudar em conflitos como o da região sudanesa de Darfur, e problemas entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina. Mas as críticas mais sérias foram reservadas às regiões iraquianas, "eles (Estados Unidos) simplesmente impuseram sua moral autoritária nas ruas de Faluja e Bagdá", disse Khan.O documento também informa que os países europeus são "parceiros no crime" dos EUA por acabarem com as liberdades civis e deixarem que suspeitos de terrorismo fossem levados para países onde corriam sérios riscos de serem torturados, uma prática conhecida como "rendição extraordinária".A Anistia devotou uma grande parte de sua coletiva de imprensa em Londres criticando os americanos, que faz com que seu status de superpotência dá enorme influência ao redor do mundo. O relatório pede que a ONU seja pontual no conflito de Darfur, force um tratado para restringir o comércio de armas de pequeno porte e pediu que o novo Conselho de Direitos Humanos dobre-se sobre a Chechênia e China.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.