Relatório da Cruz Vermelha descreve abusos no Iraque

Um relatório da Cruz Vermelha divulgado hoje diz que autoridades dos serviços de inteligência estimam que de 70% a 90% dos presos no Iraque foram capturados por engano, e afirma que observadores da Cruz Vermelha testemunharam maus-tratos impostos por americanos a detentos da prisão de Abu Ghraib.O relatório apóia a alegação de que os abusos contra prisioneiros no Iraque são amplos, e ?não atos individuais? - contradizendo a afirmação do presidente George W. Bush, de que os maus-tratos seriam ?as maldades de uns poucos?.Segundo o relatório, ?detentos de alto valor? eram destacados para maus-tratos especiais. O texto não especifica quem são essas vítimas, mas a Associated Press descobriu que incluem alguns dos 55 iraquianos mais procurados, identificados num baralho distribuído entre as tropas.O relatório cita delegados da Cruz Vermelha que, em outubro, viram detentos de Abu Ghraib ?totalmente nus em celas de concreto completamente vazias em total escuridão?. A Cruz Vermelha pediu explicações e ?o oficial encarregado do interrogatório explicou que tal prática era parte do processo?, aparentemente significando que o detento receberia roupas, móveis, cobertores e luz conforme aumentasse sua cooperação.O relatório de 24 páginas, que a Cruz Vermelha confirmou como autêntico depois de ter sido publicado pelo Wall Street Journal, disse que os abusos geralmente terminavam com o fim da fase de interrogatório. O texto cita abusos, ?equivalentes a tortura?, como brutalidade, humilhação e ameaças de ?execução imediata?.A maioria das prisões também teria ocorrido seguindo um padrão abusivo, durante a noite, com o arrombamento de portas, aos gritos, e destruição de propriedade.

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