Relatório da OMS sobre Fukushima mistura boas e más notícias

Os picos de radiação causados pelo acidente nuclear de Fukushima estão abaixo dos níveis causadores do câncer em quase todo o Japão, mas bebês de uma cidade parecem estar mais ameaçados pelo câncer de tireoide, disse a Organização Mundial da Saúde na quarta-feira.

STE, REUTERS

23 Maio 2012 | 19h49

Em um relatório preliminar, especialistas independentes disseram que as pessoas em dois locais na prefeitura (província) de Fukushima podem ter recebido uma radiação de 10 a 15 milisieverts (mSv) ao longo de um ano após o acidente de março de 2011, causado por um terremoto e tsunami.

Também na quarta-feira, um órgão científico da ONU disse que vários empregados ligados à usina foram "irradiados após contaminação da sua pele", mas que não houve efeitos clínicos observáveis.

"Seis trabalhadores morreram desde o acidente, mas nenhuma das mortes esteve vinculada à radiação", disse nota divulgada em Viena pelo Comitê Científico da ONU para os Efeitos da Radiação, após conclusões preliminares.

Segundo o relatório da OMS, as aldeias de Namie e Iitate, a noroeste da usina, foram as áreas que mais receberam radiação depois do acidente.

Em Namie, acredita-se que os bebês tenham recebido doses de 100 a 200 mSv na tireóide, que é o órgão mais exposto à radiação, já que o iodo radiativo se concentra ali, e as crianças são consideradas especialmente vulneráveis.

Populações expostas à radiação geralmente têm maiores chances de desenvolver cânceres de todo tipo depois de receberem doses superiores a 100 mSv, segundo a OMS. O limite para a síndrome da radiação aguda é cerca de 1 Sv (1.000 mSv).

A dose de fundo anual num ambiente normal em qualquer lugar do mundo é de cerca de 2,4 mSv, com uma variação típica de 1 a 10 mSv dependendo da região, segundo o relatório de 124 páginas.

No resto da Prefeitura de Fukushima, a dose efetiva foi estimada dentro da faixa de 1 a 10 mSv, enquanto na maior parte do Japão a medição indicou de 0,1 a 1 mSv.

Em países dos arredores do Japão - Indonésia, Filipinas, Coreia do Sul, extremo leste da Rússia e Sudeste Asiático- as doses foram inferiores a 0,01 mSv, o que equivale, por exemplo, a metade da dose recebida durante um raio X torácico, ou o mesmo que uma hora de visita a uma pirâmide do Egito.

(Reportagem de Stephanie Nebehay e Tom Miles; reportagem adicional de Fredrik Dahl em Viena)

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