REUTERS/Manaure Quintero
REUTERS/Manaure Quintero

Tropa de elite de Maduro matou 14 pessoas por dia em 2018, diz ONU

Relatório da Alta Comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, diz que grande parte das mortes em protestos foram cometidas por forças do governo ou milícias chavistas

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2019 | 13h34
Atualizado 05 de julho de 2019 | 11h28

GENEBRA - A Força de Ação Especial da Polícia Nacional Bolivariana (Faes), criada por pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para "combater o crime e o terrorismo", foi responsável pela morte de mais de 5,7 mil pessoas no ano passado e de outras 1,5 mil neste ano. Vista pela oposição como um esquadrão da morte do regime chavista, o Faes foi apontado pelo principal violador de direitos humanos no país por um relatório do  Comitê de Direitos Humanos da ONU divulgado nesta quinta-feira, 4.

Em média, segundo a ONU, o Faes matou ao menos 14 pessoas por dia em 2018. As mortes foram documentadas pela Justiça chavista como resistência à ação policial. Em 2019, até maio, foram mais de 1,5 mil mortes por agentes da Faes. Em muitos casos, drogas são plantadas nas vítimas para forjar uma denúncia por narcotráfico. 

A Alta Comissária da ONU para direitos humanos Michelle Bachelet visitou a Venezuela no mês passado para investigar possíveis violações atribuídas ao governo do presidente Nicolás Maduro no país. 

No relatório, Bachelet afirma também ter registrado 66 mortes nos protestos contra o governo chavista, que começaram em janeiro. Destas, 52 foram cometidas por forças do governo e milícias leais ao chavismo.

O relatório ainda afirma que 793 pessoas foram presas por se opor ao regime chavista, sendo 22 delas parlamentares de oposição.

"Poucas pessoas recorrem à Justiça por medo de retaliação ou por desconfiança nas instituições", diz o texto. "A Procuradoria se omite na obrigação de apresentar denúncias contra esses criminosos e a controladoria da república se omite perante as violações de direitos humanos."

Apesar da economia da Venezuela ter entrado em crise bem antes das sanções impostas pelo governo americano, a situação deve piorar nos próximos meses em virtude dessas punições. Além disso, o acesso a alimentos e remédios é escasso e controlado politicamente pelo governo, segundo a ONU.

O relatório de Bachelet diz ainda que, em média, os venezuelanos - especialmente mulheres - ficam dez horas em filas esperando por alimentos. O documento também denuncia a morte de 157 pessoas por faltas de insumos médicos no país em 2019. 

Para o coordenador geral da ONG venezuelana Provea, Rafael Uzcátegui, o relatório da ONU tem valor simbólico importante diante os apoiadores do governo de Maduro. “O informe da ONU não traz nenhuma novidade para quem está bem informado sobre a Venezuela. Mas seu valor simbólico diante daqueles que persistem em apoiar um governo antidemocrático é inegável”, escreveu no Twitter.

O governo venezuelano, que negociou a visita de Bachelet com a ONU e aceitou libertar alguns presos políticos, contestou o relatório. O governo de Maduro apresentou 70 pontos do relatório que julga ser parciais ou incorretos. 

“O relatório apresenta uma visão seletiva sobre a verdadeira situação dos direitos humanos no país”, disse a chancelaria venezuelana em nota. “A metodologia para sua elaboração é débil e omite os avanços obtidos pela Venezuela em matéria de direitos humanos. 

A visita de Bachelet foi criticada por setores da oposição venezuelana, que viam na ex-presidente socialista chilena uma figura simpática ao chavismo disposta a “legitimar” Maduro. 

Tudo o que sabemos sobre:
Venezuela [América do Sul]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.