Relatório da UE faz alerta sobre programa nuclear do Irã

A mera imposição de sanções internacionais não impedirá o Irã de fabricar urânio suficientemente enriquecido para equipar uma bomba nuclear, afirmou um documento interno da União Européia (UE) cujo teor vazou na terça-feira. A Organização das Nações Unidas (ONU) impôs sanções proibindo a transferência de tecnologia para o programa nuclear do Irã e dando a entender que adotará medidas mais drásticas se o governo iraniano não suspender aquelas atividades até o dia 21 de fevereiro. "As tentativas de envolver o governo iraniano em um processo de negociação não tiveram, até agora, nenhum sucesso", disse o relatório, cujo conteúdo foi relatado à agência Reuters por diplomatas da UE. "Na prática, os iranianos continuaram avançando em seu programa, segundo seu ritmo próprio. O fator limitante foram as dificuldades técnicas e não as resoluções da ONU ou da Agência Internacional de Energia Atômica", afirmou. "Em algum momento, precisamos estar preparados para a possibilidade de que o Irã adquira a capacidade de enriquecer urânio até a escala necessária para utilizá-lo em um programa de armas. Os problemas com o Irã não serão resolvidos apenas por meio de sanções econômicas", afirmou o documento. Os países membros da UE encomendaram a avaliação junto ao chefe da área de relações exteriores do bloco, Javier Solana, a fim de avaliar a eficiência da tática adotada em relação ao Irã, que envolve a adoção de sanções e a manutenção de um diálogo. Os diplomatas contestaram a interpretação divulgada pelo jornal The Financial Times, o primeiro a revelar a existência do estudo. Segundo o FT, o relatório concluiria ser tarde demais para deter o programa nuclear iraniano. Ministros dos países membros da UE disseram na segunda-feira que o Irã dava mostras de um "ímpeto renovado" para negociar o fim da crise nuclear e que as portas estavam abertas para um novo processo de diálogo. Mas ressaltaram a necessidade de implementar as sanções da ONU a fim de manter o país sob pressão. Segundo os diplomatas, a UE não avaliava a possibilidade de impor sanções suplementares ou de proibir o investimento no Irã ou a concessão de créditos de exportação ao país, conforme pediram algumas autoridades dos EUA. No final de semana, Solana e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, realizaram encontros com o principal negociador iraniano para a questão atômica, Ali Larijani. Esse foi o primeiro contato do tipo desde que as sanções foram impostas ao Irã, no dia 23 de dezembro, após terem ruído as negociações realizadas até então. O Irã afirma que seu programa visa à produção de eletricidade. Os EUA suspeitam que o país tenha por meta fabricar armas nucleares.

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