Relatório de 1990 já indicava problemas

Um relatório de 1990 feito pelo governo federal dos EUA classificou a ponte do Mississippi como "estruturalmente deficiente" e recomendou que as inspeções na construção fossem realizadas anualmente a partir de 1993 - em vez de verificações a cada dois anos. Em vistorias posteriores, inspetores encontraram fendas e corrosões na armação da ponte e reparos considerados necessários foram feitos. Na época, o governo estava convencido de que a ponte não tinha nenhum problema de segurança.O engenheiro de pontes do Departamento de Transportes de Minnesota, Daniel Dorgan, afirmou que dados do relatório indicavam que a estrutura da ponte só precisaria passar por uma grande reforma em 2020. "Achávamos que tínhamos feito tudo que podíamos", disse Dorgan. "Evidentemente, algo saiu muito errado."Embora as rachaduras e corrosões na ponte tenham levantado a preocupação de especialistas no setor, engenheiros acreditam que o colapso está diretamente ligado ao fato de que reformas estavam sendo feitas na hora do acidente. "Este é um fator determinante para a queda da ponte", afirmou o diretor do Instituto de Infra-estrutura Tecnológica da Universidade Northwestern, David Schulz.Segundo os relatórios de inspeção da ponte, apesar de vistorias terem sido realizadas regularmente durante os anos, suas avaliações sobre as condições de segurança nunca conseguiram pontuação alta - em uma escala de zero a nove, a ponte obteve nota quatro. Além disso, inspetores consideraram seu projeto obsoleto porque uma pequena falha em sua estrutura poderia levar ao colapso total da ponte. Segundo o documento, cerca de 11% das pontes de aço do país - em sua maioria dos anos 50 e 60 - não têm um reforço na proteção para reduzir esses tipos de falha.

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