Giorgio Viera/EFE
Giorgio Viera/EFE

Relatório de 2018 mostrou grandes danos antes do colapso de prédio na Flórida

Inspeção de engenharia apontou que o edifício tinha problemas estruturais em uma laje de concreto abaixo do deck da piscina que precisava de importantes reparos

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2021 | 11h21

SURFSIDE, EUA - Engenheiros que avaliaram o condomínio à beira-mar que desabou parcialmente perto de Miami na quinta-feira, 24, matando ao menos quatro pessoas, alertaram em um relatório de 2018 sobre o que chamaram de um grande erro no desenvolvimento original da construção. 

O relatório - divulgado na noite de sexta-feira por autoridades em Surfside, Flórida, onde ocorreu o incidente - observou que a laje de concreto armado do prédio não era inclinada para drenar. E, segundo eles, havia grandes danos na laje estrutural abaixo do deck da piscina que precisavam ser amplamente reparados. 

A análise está entre uma série de documentos divulgados pela cidade de Surfside, ao mesmo tempo em que as equipes de resgate continuam a cavar, neste sábado, os escombros em um esforço para encontrar as 159 pessoas que permanecem desaparecidas. Pelo menos quatro mortes foram confirmadas oficialmente. 

Ainda que o relatório de engenharia da firma de Consultores Morabito não tivesse avisado sobre um perigo iminente  - e não está claro se algum dos danos observados foi responsável pelo colapso - ele observou a necessidade de reparos extensos e caros para corrigir os problemas sistêmicos com o edifício.

Segundo o levantamento, a impermeabilização sob o deque da piscina falhou e foi colocada incorretamente em uma superfície plana em vez de inclinada, evitando que a água escoasse. 

"A impermeabilização falha está causando grandes danos estruturais ao concreto da laje estrutural abaixo dessas áreas. Falha ao substituir a impermeabilização em um futuro próximo fará com que a extensão da deterioração do concreto se expanda exponencialmente", apontou o relatório.

A empresa recomendou que as lajes danificadas fossem substituídas no que seria um grande reparo.

O relatório também descobriu fissuras e lascas abundantes nas colunas de concreto, vigas e paredes na garagem. Alguns dos danos foram menores, enquanto outras colunas se deterioraram e expuseram um vergalhão. Ele também observou que muitas das tentativas anteriores do edifício para consertar as colunas e outros danos foram prejudicados por um acabamento deficiente e estavam falhando.

"Abaixo do deck da piscina onde a laje foi injetada com epóxi (revestimento), novas rachaduras estavam irradiando das rachaduras reparadas originalmente", aponta o texto. 

No local onde ficava o edifício, dezenas de equipes de resgate usam grandes máquinas, pequenos baldes, drones, microfones e suas próprias mãos para a busca na montanha de destroços que do que antes era a torre de 12 andares./AP e W. Post 

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