Relatório de Blix deverá pedir mais tempo para inspeções

No relatório que encaminhou hoje aos membros do Conselho de Segurança (CS) da ONU, o chefe dos inspetores de armas da organização, Hans Blix, deve pedir mais tempo para o trabalho de sua equipe no Iraque e uma colaboração mais ativa do governo iraquiano no processo de desarmamento. A informação veio a público no mesmo dia em que o governo do Iraque e o pessoal da ONU em Bagdá marcaram, para este sábado, uma reunião com a finalidade de definir os detalhes técnicos para a destruição dos mísseis Al-Samoud-2, uma das exigências feitas por Blix e aceita pelo Iraque na quinta-feira, em carta enviada a ele. O Al-Samoud-2 supera em 33 quilômetros o alcance permitido ao país pelo CS.Os EUA, Grã-Bretanha e Espanha ? países que patrocinam uma resolução no CS com a finalidade de obter aval para um possível ataque ao Iraque ? minimizaram a importância da decisão iraquiana de destruir os mísseis, qualificando-a de mais uma jogada de Saddam Hussein. "Este não é o momento para jogadas", disse o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em Madri. Ironizando o comunicado iraquiano, Blair disse que já sabia desde o início da semana ? quando Saddam declarou não haver no país mísseis irregulares para destruir ? que ele iria mudar de tom, tendo em vista o iminente relatório de Blix ao CS.Não está claro qual a quantidade desses foguetes nem o tempo que requererá sua destruição, a de seus componentes e lançadores. "Existem muitos mísseis como esses e uma porção de itens relacionados a eles, os quais nós enumeramos em nossa carta (no ultimato dado a Bagdá na sexta-feira passada)", disse Blix. "É uma ação de desarmamento muito significativa." O chefe dos inspetores da ONU vem dando sinais contraditórios sobre sua interpretação da atitude iraquiana. Trechos de seu relatório divulgados na quarta-feira pela TV britânica BBC frisavam que a cooperação iraquiana estava muito aquém do necessário.Hoje, ele definiu a decisão iraquiana de destruir os Al-Samoud-2 como "um elemento muito importante de um verdadeiro desarmamento" e disse que o país está participando de uma maneira "muito ativa". Ele admitiu aos jornalistas, porém, que seu relatório não reconhece tal situação. "Cada informe é um instantâneo da situação no espaço de tempo descrito", tentou explicar, acrescentando que ele foi escrito há algum tempo. "Diante da mudança da realidade, minha exposição também muda."Ao justificar a decisão de acatar a ordem da ONU, o vice-primeiro-ministro Tarek Aziz disse que o país quer eliminar "qualquer pretexto" que os EUA possam usar para um ataque. "O objetivo dos EUA é dominar o Iraque e seu petróleo. Isso está muito claro. Isto é uma guerra imperialista e colonialista contra uma nação independente". Na carta enviada a Blix se comprometendo a destruir os mísseis, o governo iraquiano qualificou essa determinação de "injusta" e "abusiva".

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