Matthew Childs/Reuters
Matthew Childs/Reuters

Relatório do IPCC deve dar dimensão da catástrofe climática; leia o cenário

Última versão do texto, em 2013, concluiu que os humanos são a causa dominante do aquecimento do planeta desde 1950

Ishaan Tharoor*/The Washington Post , O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2021 | 05h00

As manchetes vão piorar ainda mais, como se elas já não fossem apocalípticas o suficiente. Amanhã, o Painel Intergovernamental sobre o Clima da ONU (IPCC) divulgará a primeira parte de seu último relatório sobre o clima, o primeiro em oito anos. 

A última versão do texto, em 2013, concluiu que os humanos são a causa dominante do aquecimento do planeta desde 1950. Foram as conclusões daquele relatório que levaram à assinatura do Acordo do Clima de Paris, em 2015, que obriga governos mundiais a limitar o aquecimento do planeta a, no máximo, 2°C.

Nos últimos anos, o IPCC divulgou uma série de estudos especiais sobre a saúde dos oceanos e dos glaciares da Terra. Em 2018, o órgão lançou um alerta sobre a curta janela de oportunidade de governos e dos setores privados para limitar o planeta a um aquecimento de 1,5°C. 

Só que as conclusões de amanhã devem ser ainda mais sombrias. O estudo deve indicar um número de quanto CO2 a atmosfera suporta antes do ponto crítico de aquecimento, para além do qual os cientistas preveem um cenário catastrófico. O detalhamento do que pode acontecer caso a temperatura crítica seja alcançada também deve estar descrito no relatório. 

Esses efeitos, no entanto, já estão aparentes antes mesmo das conclusões do IPCC. Às enchentes torrenciais no norte da Europa, se seguiram incêndios devastadores no Mediterrâneo. Na Itália, os focos de fogo florestal triplicaram em relação à média.

Na Grécia, as ruínas que deram origem às Olimpíadas foram isoladas. E a Turquia enfrenta uma onda de calor, em média, 8°C superiores à média. As chamas estão destruindo a costa do Mar Egeu e críticos do presidente Recep Tayyip Erdogan atacam seu pouco caso quanto à causa ambiental. 

Conforme as temperaturas aumentam em escala global, o Hemisfério Norte tem experimentado eventos de calor com maior intensidade e frequência nos Estados Unidos, na Europa e no Ártico. 

Ao mesmo tempo, estamos lidando com o impacto dessa destruição climática na vida real e em tempo real. Na semana passada, uma onda de calor na Groenlândia levou ao maior derretimento de gelo do ano. A água despejada no Oceano Atlântico poderia cobrir o Estado da Flórida inteiro. 

No lado oposto do planeta, um estudo prevê que a Antártida perderá 98% de sua população de pinguins até o fim do século, graças ao aquecimento global. Com o gelo mais fino na superfície do mar, os filhotes podem cair no mar e se afogar, numa escala jamais vista, ou até mesmo morrer de fome. 

Outro risco é a liberação de metano selado pelo gelo eterno do Hemisfério Norte. Uma vez liberado, esse gás poderia acentuar o efeito estufa. Por fim, o aquecimento do planeta ainda ameaça a estabilidade das correntes marítimas, responsáveis pela manutenção do regime de chuvas a nível global. 

 

*É JORNALISTA 

 

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