Relatório exime equipe de Obama em caso de corrupção no Illinois

Documento indica que dois assessores falaram com governador acusado, Obama foi entrevistado por procurador

AP E NYT, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

Os assessores do presidente eleito dos EUA, Barack Obama, não mantiveram contatos inadequados com o governador de Illinois, Rod Blagojevich, acusado pela promotoria federal de tentar vender a vaga do presidente eleito no Senado, conclui um relatório divulgado ontem pela equipe de transição de Obama. Na semana passada, o presidente eleito já tinha dito que o relatório eximiria sua equipe. Blagojevich foi preso no dia 9 e solto em seguida, após pagar fiança.Na quinta-feira, promotores tiveram uma entrevista com Obama sobre o caso Blagojevich. Na sexta-feira, teria sido a vez de seu futuro chefe de gabinete, Rahm Emanuel, ser ouvido. A advogada Valerie Jarrett, amiga do casal Obama e antes cotada para a vaga do presidente eleito no Senado, também falou com a promotoria.Sob a possibilidade de o escândalo atrapalhar seu processo de transição de poder, Obama anunciou no dia 11 que havia pedido à sua equipe que verificasse todos os contatos feitos com o gabinete de Blagojevich sobre a vaga no Senado, prometendo passar todas as informações para a imprensa. A divulgação do documento ocorreu enquanto Obama passa férias no Havaí. Segundo sua equipe, ele não faria nenhum pronunciamento sobre o assunto.O relatório esboça os contatos limitados que alguns assessores de Obama - incluindo Emanuel - mantiveram com o gabinete de Blagojevich e afirma que nenhum assessor próximo de Obama suspeitava que o governador estivesse tentando vender a vaga. "Não há indicações de negociações sobre um ?acordo? no qual Blagojevich receberia um benefício pessoal por qualquer indicação", afirma o documento.O relatório foi preparado por advogados da equipe de transição de Obama e resume-se a uma dezena de parágrafos que esboçam os contatos limitados que os assessores mantiveram com Blagojevich.Segundo o New York Times, porém, a revisão dos contatos foi compilada de memória pela equipe de Obama, em vez de pela revisão dos registros das ligações telefônicas. Além de Emanuel, Valerie, também é citada.Emanuel teria mantido vários contatos com Blagojevich. Segundo uma fonte próxima do governador de Illinois, Blagojevich acreditava que o deputado queria que a vaga do Senado fosse concedida a Valerie, para que ela não pudesse disputar com ele a atenção de Obama na Casa Branca.NOME RETIRADOValerie retirou seu nome da consideração para a vaga no Senado no mês passado, para assumir a co-presidência da equipe de transição. Depois da posse de Obama, no dia 20, ela ocupará três funções ao mesmo tempo: será a principal assessora particular do presidente, intermediará as relações da Casa Branca com o restante do governo e supervisionará o Escritório de Relações Públicas.Emanuel, que sucedeu a Blagojevich no Congresso em 2002 após a vitória do governador na eleição, recusou-se a comentar sobre os contatos que os dois mantiveram.Fontes da procuradoria dos EUA afirmam que Emanuel não é alvo da investigação. O processo tampouco mencionaria outros membros da equipe de Obama.

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