Relatório final censura czar antiterror

Segundo ''''Guardian'''', corregedoria conclui que Hayman deu, deliberadamente, informações erradas sobre o brasileiro

The Guardian, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2001 | 00h00

O chefe do setor de contraterrorismo e espionagem da Scotland Yard, Andy Harman, é censurado no relatório final sobre a morte do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, em 22 de julho de 2005, em Londres, informa em sua edição de hoje o jornal britânico The Guardian. Segundo o jornal, o documento, que será divulgado oficialmente hoje, poupa o chefe da Scotland Yard, Ian Blair, de críticas duras sobre sua atuação no caso.Hayman, que ocupa o posto de comissário-assistente da polícia, foi criticado pela Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC, na sigla em inglês) por ter, ''''deliberadamente'''', dado informações erradas sobre a identidade de Jean Charles ainda no dia da morte do brasileiro. Segundo o relatório, o czar antiterror deveria ter alertado Blair sobre as versões, surgidas logo após a morte, de que Jean Charles não estava ligado às tentativas de atentados ocorridas na véspera. O comissário só foi informado de que o brasileiro era inocente no dia seguinte.A morte de Jean Charles ocorreu duas semanas depois dos atentados suicidas que deixaram 52 mortos em Londres, e um dia após a tentativa de novos ataques contra o sistema de transporte londrino. O eletricista, que tinha 27 anos, foi morto quando ia para o trabalho. Agentes da polícia o confundiram com um suspeito dos atentados frustrados e o mataram com sete tiros na cabeça dentro de um vagão do metrô. Na época, a polícia afirmou que Jean Charles levantou suspeitas por usar casaco num dia quente. Além disso, segundo a versão policial, ele teria se recusado a cumprir uma ordem para não entrar na estação, pulando a catraca e correndo para alcançar o trem. Um documentário da emissora britânica BBC feito meses depois contestou a versão oficial, mostrando imagens de Jean Charles entrando calmamente na estação.Durante as investigações, a polícia defendeu a ação, afirmando que seus agentes enfrentavam uma situação sem precedentes. A procuradoria britânica já decidiu eximir de culpa criminal os 15 policiais envolvidos na morte. Em outubro, a Scotland Yard será julgada como corporação. A polícia terá de prestar contas pela política de ''''atirar para matar'''' em suspeitos de terrorismo. Asad Rehman, porta-voz dos parentes de Jean Charles, afirmou que a família ainda não viu o relatório final. ''''O que ela quer é saber o que aconteceu e que as pessoas prestem contas por suas ações se enganaram a família.''''

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