Relatório indica sumiço de 190 mil armas no Iraque

Estudo mostra que Pentágono não conhece a localização de grande parte do material militar entregue às forças de segurança iraquianas

THE WASHINGTON POST, AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2007 | 00h00

Um relatório do governo americano indica que o Pentágono desconhece a localização de cerca de 190 mil fuzis AK-47, pistolas e outros equipamentos entregues às forças de segurança iraquianas entre 2004 e 2005. De acordo com o documento - entregue ao Congresso no dia 31 e divulgado em detalhes ontem pela imprensa americana -, teme-se que parte do armamento tenha caído nas mãos dos insurgentes.O relatório do Departamento de Contabilidade do Governo (GAO, na sigla em inglês) indica que militares americanos não sabem o que aconteceu com 30% das armas que os EUA distribuíram às forças iraquianas como parte de um esforço para treinar e equipar as tropas.Desde 2003, os EUA gastaram US$ 19,2 bilhões tentando desenvolver as forças de segurança iraquianas, incluindo pelo menos US$ 2,8 bilhões para a compra de equipamentos. No entanto, o GAO informa que a distribuição das armas foi desorganizada e não seguiu os procedimentos estabelecidos. O Pentágono não contestou o relatório, mas disse que iniciou uma investigação e vai melhorar a fiscalização a partir da entrega das armas. Um funcionário do Pentágono reconheceu que algumas dessas armas provavelmente estão sendo utilizadas contra forças americanas.A analista sênior do Centro de Informação de Defesa Rachel Stohl comentou que o governo do presidente americano, George W. Bush, queixa-se freqüentemente de que o Irã e a Síria estão suprindo os insurgentes, mas dá pouca atenção aos erros dos militares americanos que, inadvertidamente, estariam fazendo o mesmo. "Pouco tem sido feito para cuidar do problema."Numa iniciativa incomum, o programa de treinamento e equipamento de forças iraquianas está sendo administrado pelo Pentágono. Normalmente, os programas tradicionais de apoio à segurança são geridos pelo Departamento de Estado.BOICOTE AO GOVERNOCinco ministros sunitas do governo iraquiano anunciaram ontem um boicote às reuniões do gabinete do primeiro-ministro iraquiano, o xiita Nuri al-Maliki. Os ministros, leais ao ex-premiê Ayad Allawi, suspenderam sua participação por causa do fracasso de Maliki em acatar os pedidos de reforma política. O boicote anunciado ontem eleva para 17 o número de ministros que suspenderam a participação no governo de Maliki ou renunciaram este ano.Ontem, um carro-bomba matou pelo menos 33 pessoas - entre elas, 19 crianças - e feriu outras 52 em um ataque numa área residencial de Tal-Afar, no norte do país.

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