Relatório militar de Israel reconhece erros em ataque a frota

Painel diz que houve falhas de inteligência e planejamento e critica comandantes.

BBC Brasil, BBC

12 de julho de 2010 | 13h54

A ação militar de Israel contra a frota de barcos que tentava furar o bloqueio à Faixa de Gaza, no fim de maio, foi prejudicada por erros cometidos no nível de comando, segundo concluiu um relatório militar israelense divulgado nesta segunda-feira.

A investigação sobre a operação, na qual foram mortos nove ativistas turcos, critica a coleta de informações de inteligência e o planejamento.

O relatório também diz que os comandantes concentraram seus esforços em apenas um plano de ação.

A frota de barcos interceptada pela ação israelense transportava centenas de ativistas que pretendiam levar ajuda humanitária à população de Gaza.

Israel alegou que seus soldados agiram em legítima defesa após terem sido espancados pelos passageiros de um dos barcos durante a abordagem.

Painel

O general da reserva Giora Eliand, que presidiu o painel encarregado de analisar a operação, apresentou os resultados da investigação em um pronunciamento público em Tel Aviv.

"Erros foram cometidos nas várias decisões tomadas, incluindo dentro dos níveis hierarquicamente altos, que contribuíram para que o resultado não fosse o desejado", disse ele.

"Neste inquérito, descobrimos que houve alguns erros profissionais relacionados tanto à inteligência quanto ao processo de tomada de decisões", afirmou.

A comissão liderada por Eiland começou seus trabalhos no dia 7 de junho, uma semana após a ação contra a frota.

Uma outra comissão de investigação civil, para analisar a legalidade da operação, também foi estabelecida, com a presença de dois observadores estrangeiros, para tentar aplacar a onda de críticas internacionais contra Israel por causa da operação.

A Turquia, principal aliado histórico de Israel no mundo muçulmano, ameaça cortar relações com o país se o governo israelense não se desculpar oficialmente pela operação, indenizar os familiares de vítimas e permitir uma investigação independente.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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