Relatório pede aproximação entre ocidente e oriente

Um relatório divulgado por um grupo multicultural formado por 20 personalidades proeminentes em todo o mundo pediu por esforços urgentes para acabar com a crescente divisão entre as sociedades muçulmanas e ocidentais. A informação está no site da rede britânica BBC. Segundo a análise, as causas principais da tensão entre esses dois "mundos" não são as questões religiosas ou históricas, mas sim acontecimentos políticos recentes, em particular o conflito israelo-palestino. O texto, escrito em conjunto com a ONU, diz ainda que o clima de temor mútuo e a disseminação de estereótipos pelas duas partes estão piorando o problema. Para combater essa situação, os especialistas propõe projetos educacionais e de mídia. Conhecido como Aliança das Civilizações, o grupo conta com a presença do arcebispo anglicano Desmond Tutu e do ex-presidente iraniano Mohammed Khatami, e propõe uma ação rápida para conter a noção de que um confronto de civilizações é inevitável. As conclusões do grupo foram apresentadas em um relatório entregue ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em uma cerimônia em Istambul na manhã desta segunda-feira. Segundo a Aliança das Civilizações, um dos símbolos da discórdia é o conflito israelo-palestino, que, com as recentes intervenções militares no Iraque e no Afeganistão, contribui para o crescente senso de ressentimento e desconfiança que marca a relação entre os muçulmanos e o Ocidente. Os especialistas pedem pela renovação dos esforços para resolver a crise no Oriente Médio, assim como a criação de conferências voltadas para revigorar o processo de paz - inclusive de um comissariado da ONU para analisar a situação de maneira objetiva. Por fim, a Aliança das Civilizações propõe a nomeação de um representante de alto nível que atue na resolução de crises, e que aja como uma voz de moderação. Globalização O texto também critica os efeitos da globalização. "Para muitas comunidades, a perspectiva de melhora na qualidade de vida vem com um alto preço, que inclui homogeneização cultural, desordem familiar, desafios para os modos de vida tradicional e degradação ambiental", diz o relatório. "Nesse contexto, os povos que se sentem persistentemente discriminados, humilhados ou marginalizados reagem de forma agressiva para impor suas identidades", pondera o texto. Por último, a Aliança sugere que a repressão à oposição política e a lentidão na reformulação das leis em alguns países muçulmanos é um fator chave no crescimento do extremismo. Os autores do relatório argumentam que a ignorância está na raiz de boa parte das hostilidades. Desta forma, eles propõe a criação de programas de educação para os jovens e de esclarecimento para os meios de comunicação. Ainda assim, o grupo destaca que as propostas terão impacto limitado se as causas políticas das tensões não forem solucionadas rapidamente.

Agencia Estado,

13 Novembro 2006 | 12h46

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