Relatório questiona gasto militar da China

Os gastos militares da China são quase o dobro do que é divulgado oficialmente pelo governo, afirma o relatório Equilíbrio Militar, o anuário publicado na quarta-feira pelo conceituado Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (IIEE), da Grã-Bretanha. "Concluímos que, de acordo com o câmbio de mercado atual, as despesas militares chinesas em 2003 chegaram a US$ 39,6 bilhões (mais de R$ 93 bi), cerca de 1,7 vezes o orçamento oficial", afirmou o diretor-geral do IIEE, John Chipman.Esses gastos, no entanto, podem saltar para US$ 75,5 bilhões (mais de R$ 178 bilhões) se, em vez do câmbio de mercado, for usada a Paridade de Poder de Compra - uma medida de comparação direta, que desconta a variação cambial, do poder de compra das moedas de diferentes países."Claro que esse número tem que ser usado com cautela", alertou Chipman. Seja qual for o termo de comparação, de acordo com o documento, os investimentos militares da China demonstram que "o relacionamento EUA-China continua implicitamente competitivo, e há poucos indícios de que isso vai mudar."IrãO relatório anual do IIEE também comenta o impasse relativo ao Irã. De acordo com o instituto britânico, a previsão é de que os iranianos vão conseguir produzir 20 a 25 quilos de urânio altamente enriquecido até 2010.No entanto, outras estimativas falam em 2008 ou 2009 e "estão dentro da margem de erro, dado o número de incógnitas". Mark Fitzpatrick, diretor do programa de Não-Proliferação Nuclear do IIEE, disse que a comunidade internacional poderia ter investido um esforço maior para tentar impedir a proliferação nuclear no Irã, em dois momentos: "A reativação da usina nuclear de Isfahan (a usina voltou a funcionar em 2005) e agora resta o enriquecimento de urânio".Em junho, a França, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha podem conseguir uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que suspenderia o programa de enriquecimento de urânio iraniano e obrigaria o país a cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).Se ela for aprovada, o Conselho terá 30 dias para estabelecer uma lista de sanções contra o Irã, caso o governo não respeite a resolução.IraqueSobre o Iraque, as previsões do IIEE são pouco otimistas. "O novo comitê constitucional (a assembléia constituinte do Iraque) provavelmente não vai possibilitar concessões políticas, criando um ressentimento renovado entre a população sunita, cuja maioria votou contra a constituição em 2005", diz o documento.Os analistas do instituto afirmam que hoje há cerca de 20 mil insurgentes em atividade no Iraque, 10% deles seriam estrangeiros.O IIEE conclui que o aumento do sectarismo no Iraque causou ansiedade nos países vizinhos, que, preocupados com seus interesses e com rivalidades regionais, acabaram intervindo na situação política do país, através do apoio a grupos e organizações dentro do Iraque. Essa intromissão unilateral reforça, segundo o relatório, "o perigo claro de aumentar a instabilidade, violência e islamismo radical" na região. Uma saída, segundo o IIEE, seria um papel maior para "intervenções abertas multilaterais, envolvendo os principais países da região para estabilizar a situação".América do SulNa América do Sul, a Venezuela foi o país que mais aumentou os investimentos militares, segundo o relatório. De 2004 para 2005 foi registrado um aumento de 33% no orçamento; a maior parte disso foi destinada à compra de helicópteros.No entanto, o anuário diz que os gastos com defesa na América Latina e no Caribe em relação ao Produto Interno Bruto continuaram a tendência de queda que vinha sendo registrada nos últimos anos.Desde 2001, a porcentagem investida em fins militares caiu de 1,58% para 1,31% do PIB. Nos últimos dois anos, a queda foi de 1,41% para 1,31%.O orçamento militar do Brasil teria sofrido um ligeiro aumento e se manteve como o mais alto da região, subindo de US$ 13,17 bilhões (R$ 32,2 bi) para US$ 16,06 bi (R$ 35,2 bi).

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