Sherburne Minn/AP
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Relatório sobre ataques de 11/9 retoma atenção com acusações

Depoimento de ex-agente da Al-Qaeda implicando sauditas nos atentados aumenta pressão para governo liberar sigilo

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2015 | 02h04

Parte de uma investigação do Congresso dos EUA sobre os ataques de 11 de setembro de 2001 ganhou, nos últimos 13 anos, uma aura mítica - 28 páginas classificadas como secretas que implicam os sauditas no apoio aos ataques e no financiamento do terrorismo.

Novas afirmações de Zacarias Moussaoui, ex-membro da Al-Qaeda preso nos EUA, de que ele teve contatos com autoridades do governo saudita antes do 11 de Setembro chamaram a atenção para as revelações retiradas do inquérito, que parlamentares e parentes dos mortos nos ataques tentam, há algum tempo, tornar públicas.

"Creio que é a coisa certa a fazer", disse o deputado democrata Stephen F. Lynch, autor de uma resolução bipartidária encorajando o presidente Obama a retirar o sigilo. Funcionários da Casa Branca dizem que o governo iniciou uma revisão da divulgação das páginas.

Lynch e seus aliados receberam o reforço do ex-senador Bob Graham, que conduziu o inquérito quando era presidente da Comissão de Inteligência do Senado. Ele pede a liberação da Parte 4 do relatório, que trata da Arábia Saudita, desde que o presidente George W. Bush ordenou que fosse tornada confidencial, em dezembro de 2002.

Graham declarou várias vezes que a seção revela que a Arábia Saudita foi cúmplice dos ataques. "As 28 páginas apontam um dedo muito forte para a Arábia Saudita como a principal financiadora", disse ele.

Parentes dos mortos nos ataques, além de unidos numa ação federal contra a Arábia Saudita, também pediram que as páginas fossem tornadas públicas. Eles dizem que a Parte 4 do relatório poderia ajudar a determinar a fonte do financiamento atual a atividades terroristas.

"Se barramos o financiamento do terrorismo e responsabilizarmos essas pessoas, isso não prejudicaria o financiamento atual do terrorismo?", pergunta William Doyle, cujo filho, Joseph, foi morto no World Trade Center. Doyle disse que o presidente Obama lhe garantiu pessoalmente, após a morte de Osama bin Laden, que ia retirar o sigilo.

Os propositores da liberação da Parte 4 sugeriram que os governos Bush e Obama mantiveram o sigilo mais por temerem afastar um parceiro econômico e militar influente do que por alguma consideração de Segurança Nacional.

Philip D. Zelikow, diretor executivo da comissão nacional que investigou os ataques de 11 de Setembro após os painéis do Congresso, disse que a Comissão partiu das alegações, mas chegou a uma conclusão diferente.

"Nós não descobrimos nenhuma evidência de que o governo saudita, enquanto instituição, ou autoridades sauditas de alto escalão individualmente financiaram a Al-Qaeda", declarou a Comissão em seu relatório de julho de 2004. Ele notou, porém, a "probabilidade de que organizações beneficentes com patrocínio significativo do governo saudita desviaram recursos para a Al-Qaeda".

O governo saudita também se disse favorável à divulgação das 28 páginas porque isso tornaria mais fácil refutar o que ele classifica como alegações infundadas. A embaixada saudita declarou que mantinha essa posição. / NYT

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