Mark Wilson/Getty Images/AFP
Mark Wilson/Getty Images/AFP

Relatório sobre Líbia livra Hillary de acusação

Conclusão da investigação de republicanos culpa Pentágono por falhas de segurança

O Estado de S. Paulo

29 Junho 2016 | 05h00

WASHINGTON - O relatório final da maioria republicana na Câmara de Deputados que investigou os ataques de 2012 em Benghazi, na Líbia, encontrou erros em quase cada ponto do ramo executivo responsável pelas ações, mas não apresentou novas provas de atuação ilegal da então secretária de Estado Hillary Clinton.

Segundo nota divulgada pela comissão republicana, o relatório “altera fundamentalmente a ideia que o público tinha dos ataques terroristas de 2012 nos quais morreram quatro americanos”, um deles o embaixador na Líbia, Christopher Stevens.

Mas apesar da grande quantidade de detalhes adicionais sobre o que ocorreu antes, durante e depois dos ataques às instalações do Departamento de Estado e da CIA em Benghazi, o conteúdo geral do relatório não difere muito de investigações e conclusões anteriores.

A divulgação do relatório, ontem, um dia depois de a comissão da minoria democrata na Casa publicar separadamente suas próprias conclusões, deve trazer novas críticas sobre o custo de US$ 7 milhões da investigação de dois anos.

Para os democratas, a investigação é uma caça às bruxas planejada e prolongada pelo Partido Republicano para coincidir com a campanha presidencial de Hillary e sabotá-la. Hillary é a provável candidata democrata na disputa pela Casa Branca.

Já o presidente da comissão, Trey Gowdy, que acusou o governo Obama de atrasar os trabalhos com a lenta liberação de documentos e retenção de informações, afirmou que havia prometido “conduzir a investigação de modo a merecer o respeito do povo americano e respeitando a memória dos que morreram”. “Peço simplesmente aos americanos que leiam esse relatório, examinem as provas que coletamos e cheguem às próprias conclusões.”

Diferentemente de outras investigações do Congresso, o relatório não enumera conclusões específicas. Em vez disso, segundo Gowdy, suas mais de 800 páginas contam uma história, por meio de documentos e testemunhos, dividida em várias e distintas partes.

Conclusões separadas criticam a posição do governo face à investigação e fazem recomendações para o futuro. O relatório inclui ainda uma carta de Gowdy, encaminhando 15 perguntas ao presidente Obama. As perguntas são sobre o que Obama sabia sobre o ataque. 

O relatório repete, com mais detalhes, a forte defesa de Hillary aos ataques americanos à Líbia em 2011, que levaram à derrubada e morte do líder Muamar Kadafi e teriam desestabilizado o país.

Enquanto o governo Obama passava o ano seguinte apoiando um governo provisório, vários relatórios internos do Departamento de Estado descreviam as instalações temporárias de Benghazi como inseguras. O embaixador Stevens e outros haviam recomendado o estabelecimento de um consulado permanente antes de uma planejada viagem de Hillary à Líbia em outubro de 2012.

O relatório reconta as oscilantes versões internas das motivações dos atacantes. Tanto a CIA como Hillary, com variações, deram como principal motivo um protesto contra um vídeo antimuçulmano postado no YouTube. Na maior parte, porém, o relatório descreve o que diz que Hillary deveria ter sabido e o que deveria ter feito, sem apontar culpa específica por falhas generalizadas e sistemáticas do governo. 

As críticas mais ácidas são reservadas ao Departamento de Defesa – que teria falhado em fazer uma tentativa de resgate dos diplomatas e funcionários – sem, porém, discordar da alegação do Pentágono de que tal ajuda não teria chegado a tempo de salvar a vida de Stevens e dos demais. / THE WASHINGTON POST 

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