Relatório sobre morte de Jean Charles é adiado

A investigação sobre a atuação da polícia no episódio que levou à morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, em Londres, em julho do ano passado, não deve ser concluída antes de agosto. Parentes de Jean Charles, morto a tiros pela polícia na estação de metrô de Stockwell, foram informados de que o relatório da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC) só será finalizado depois de uma entrevista com o chefe da polícia metropolitana de Londres, Ian Blair. Blair e outro policial do alto escalão envolvido no caso, só teriam disponibilidade para atender a comissão no final de julho ou em agosto. A família de Jean Charles, morto em julho de 2005, criticou o novo adiamento do relatório, inicialmente previsto para abril, classificando-o como "um insulto". A investigação é centrada no que aconteceu imediatamente após a morte de Jean Charles, confundido com um homem bomba. O incidente ocorreu na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, em 22 de julho do ano passado, um dia após uma série de atentados frustrados ao sistema de transporte de Londres e duas semanas após os atentados que deixaram mais de 50 mortos.Processo criminal O adiamento foi anunciado no momento em que um pré-inquérito sobre as circunstâncias em que o brasileiro foi morto está sendo revisto. O inquérito poderia determinar se processos criminais serão abertos contra a polícia. Um porta-voz da família em Londres disse que é um "ultraje" que nenhuma das duas investigações tenha sido concluída. "Isto insulta a família ainda mais quando se aproxima um ano de aniversário da morte de Jean", disse o porta-voz. "Achamos que é uma desgraça o chefe da polícia metropolitana não poder achar tempo por quase dois meses para falar com o IPCC". E acrescentou que o IPCC deveria exercer sua autoridade agora "para manter sua credibilidade". Um porta-voz do IPCC confirmou que o relatório Stockwell 2 terá sua conclusão adiada, mas afirmou que a polícia está "cooperando com os inquéritos". Ele justificou que a investigação é complexa e está levando mais tempo do que o esperado "por uma série de razões" e afirmou que não há "desacordos" em relação à marcação de entrevistas entre o IPCC e a polícia

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