Martin Hunter/ SNPA/ Reuters
Martin Hunter/ SNPA/ Reuters

Relembre atentados recentes antimuçulmanos ou de extrema direita

Atentado contra duas mesquitas em Christchurch, é o pior massacre a tiros da história da Nova Zelândia e o mais grave atentado contra muçulmanos em um país ocidental

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2019 | 13h25

PARIS - O atentado contra as mesquitas Masjid Al Noor e Linwood nesta sexta-feira, 15, na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia é o mais grave ataque contra muçulmanos em um país ocidental. Ao menos 49 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.

O principal suspeito, que alega ser autor dos ataques, escreveu um manifesto de 74 páginas contra muçulmanos e imigrantes, publicado na internet. Se a pista da extrema direita for confirmada, o ataque pode relembrar o massacre cometido pelo neonazista Anders Breivik na Noruega em 2011.

Outros ataques anti-muçulmanos

Em 29 de janeiro de 2017, no Canadá, um homem de 27 anos abriu fogo contra fiéis reunidos para a última oração do dia na mesquita de Quebec. Seis muçulmanos morreram e 35 ficaram feridos. 

O agressor, Alexandre Bissonnette, um estudante com ideias nacionalistas mas que não estava filiado a um movimento, foi detido. Em fevereiro de 2019 ele foi condenado à prisão perpétua, sem possibilidade de libertação antes de 40 anos.

O massacre, classificado como "atentado terrorista" pelo primeiro-ministro Justin Trudeau era até agora o mais violento ataque contra um local de culto muçulmano no Ocidente.

Em 19 de junho de 2017, no Reino Unido, um galês de 48 anos atropelou com uma caminhonete um grupo de fiéis na saída da oração noturna do Ramadã, perto da mesquita de Finsbury Park, Londres. O ataque deixou 1 morto e 12 feridos.

O autor, Darren Osborne, motivado por um ódio pessoal contra os muçulmanos e que se radicalizou nas semanas precedentes ao ataque, foi condenado à prisão perpétua em fevereiro de 2018.

Extrema direita: o precedente Breivik

Em 22 de julho de 2011, na Noruega, Anders Behring Breivik, de 32 anos, cometeu dois massacres que deixaram 77 mortos. Em um primeiro momento ele matou oito pessoas na explosão de uma bomba em Oslo, perto da sede do governo.

Depois, matou outras 69 na pequena ilha de Utoya, a 40 km da capital, onde jovens do Partido Trabalhista participavam de um acampamento de verão. Breivik atirou durante mais de uma hora contra mais de 600 participantes. A maioria das vítimas foi de adolescentes. Detido no mesmo dia, o criminoso foi condenado a 21 anos de prisão, uma pena que pode ser prolongada indefinidamente.

Em junho de 2018, a Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) rejeitou uma denúncia de Breivik, que alegou que suas condições de detenção eram desumanas. Desde sua detenção, o norueguês não parou de ressaltar suas opiniões extremistas, inclusive com a saudação nazista diante dos juízes ou jurando "combater pelo nazismo" até sua morte.

Islamofóbico e antimarxista, Breivik explicou em um manifesto, publicado na internet no dia dos ataques, que preparou o projeto por vários anos. O norueguês se apresentava como cristão conservador, "exposto durante décadas à doutrinação multicultural".

Após os ataques às mesquitas da Nova Zelândia, a primeira-ministra norueguesa Erna Solberg mencionou os "dolorosos vínculos com nossa própria experiência de 22 de julho, o momento mais difícil desde a guerra para a Noruega”. “Isto demonstra que o extremismo ainda prospera em vários lugares", disse Solberg. / AFP

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