ITN via AP
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Relembre outros casos de opositores russos envenenados

Tática não é incomum na Rússia, liderada por Vladimir Putin há 20 anos

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 10h36

O suposto envenenamento no chá de Alexei Navalny, principal opositor ao governo de Vladimir Putin, nesta quinta-feira, 20, é apenas mais um em uma história longa de pessoas que entraram em rota de colisão com o Kremlin e passaram mal ou morreram em condições suspeitas.

Navalny passou mal após tomar um chá no aeroporto de Tomsk, na Sibéria, antes de viajar para Moscou. Navalny é o principal nome do movimento de oposição ao Kremlin. No ano passado, ele afirmou ter sido envenenado com uma substância que lhe causou um grave reação alérgica durante uma de suas diversas passagens pela prisão. 

Serguei Skripal

Em 2018, o ex-agente duplo russo Serguei Skripal e sua filha, Yulia, foram encontrados inconscientes em um centro comercial em Salisbury, no sul da Inglaterra, e hospitalizados em estado grave.

Londres acusou Moscou de estar por trás desse envenenamento com Novitchok, um poderoso agente neurotóxico de concepção soviética, em retaliação por sua colaboração com os serviços de inteligência britânicos. O Kremlin negou e o caso provocou uma crise diplomática. 

Serguei Skripal e sua filha deixam o hospital nos meses seguintes. Este envenenamento fez uma vítima colateral, uma mulher que morreu depois de espirrar o que achava ser perfume contido em um frasco pego por seu companheiro. 

Alexander Litvinenko

Um dos casos mais importantes de assassinatos por envenenamento é o de Alexander Litvinenko. Ex-agente do Serviço Federal de Segurança russo (FSB, sucessor da KGB), ele morreu em 23 de novembro de 2006 em um hospital de Londres dias após adoecer pelo efeito do isótopo polônio 210.

O ex-espião, que virou um importante crítico de Putin, pediu asilo político ao chegar em Londres em novembro de 2000, obteve nacionalidade britânica e passou a trabalhar para o serviço secreto MI6. A conclusão da Justiça britânica foi de que Putin "provavelmente aprovou" o assassinato do ex-espião. 

A Justiça afirmou que os ex-agentes russos Andrei Lugovoi e Dmitri Kovtun, com os quais Litvinenko se reuniu no dia em que foi envenenado após tomar uma xícara de chá, teriam atuado sob a direção dos serviços de inteligência russos quando foi assassinado.

Litvinenko também acusava o serviço secreto russo de ter sido cúmplice nos atentados a bomba atribuídos a separatistas chechenos em 1999, o que serviu de pretexto para operações militares na região e ajudaram a alçar Putin ao poder. Em entrevistas, dizia que para o serviço russo o uso do envenenamento era "apenas uma arma", sendo visto como "uma ferramenta comum". 

Vladimir Kara-Murza

O opositor russo Vladimir Kara-Murza não morreu, mas já sobreviveu a dois envenenamentos por seu trabalho na oposição ao presidente Vladimir Putin e por atuar para promover a democracia e a liberdade de imprensa na Rússia. Kara-Murza é um dos coordenadores do Open Russia, uma organização cívica fundada por Mikhail Khodorkovski, também crítico de Putin. 

O primeiro caso foi em 2015, em uma reunião, quando ele teve aumento da pressão sanguínea, passou a suar muito, vomitou e perdeu a consciência. Tudo em menos de 20 minutos, de acordo com relatos do jornal The New York Times.  

Kara-Murza também era ligado a Boris Nemtsov, outro líder político de oposição e crítico de Putin, que foi morto perto do Kremlin em fevereiro de 2015. Em 2017, Kara-Murza passou por um envenenamento semelhante e descreveu os mesmos sintomas, mas sobreviveu. 

Alexander Perepilichni

Em 2012, o empresário russo foi encontrado morto em frente a sua propriedade em Surrey, na Inglaterra. Segundo a polícia, tratou-se de morte natural. Mas os exames solicitados por uma companhia de seguros revelam que ele ingeriu uma molécula associada ao gelsemium, uma planta tóxica da Ásia. 

Anna Politkovskaya

Anna Politkovskaya era uma jornalista crítica ao governo russo que tinha 48 anos quando foi assassinada a tiros ao voltar para casa depois de fazer compras. Ela fez grandes reportagens sobre violações dos direitos humanos na Chechênia.

Antes de ser assassinada em 2006, ela também foi alvo de envenenamento. Quando faria uma viagem para a Ossétia do Norte, em 2004, entrou no avião e se sentiu mal após tomar um chá que ela acreditou estar envenenado. Ela foi hospitalizada. 

Ao jornal britânico The Guardian, ela relatou que uma enfermeira sussurrou no seu ouvido que ela foi vítima de uma tentativa de envenenamento. / Com informações da AFP 

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