Religião atrapalha candidatura de Romney

Favorito para vencer as primárias do Partido Republicano e concorrer contra Obama em 2012, ele sofre rejeição nas urnas por ser mórmon

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE/ WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2011 | 03h02

O ex-governador republicano de Massachusetts Mitt Romney fala e se comporta como o futuro presidente dos EUA, tanto em debates quanto no corpo a corpo com os eleitores. A pedra no caminho de Romney para concorrer com o presidente Barack Obama em 2012, porém, não diz respeito à arrecadação de fundos nem a seus planos de governo, mas à sua religião. Ele é mórmon.

Para as primárias de 2012, o Partido Republicano apresentará dois candidatos mórmons. Além de Romney, o ex-governador de Utah e ex-embaixador dos EUA em Pequim Jon Huntsman também segue a doutrina da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, fundada em 1830 por Joseph Smith, autodenominado "profeta", que foi o primeiro mórmon a candidatar-se à presidência dos EUA, em 1844 - ele acabou sendo também um dos primeiros candidatos à Casa Branca a ser assassinado em campanha.

A religião tem mais de 3 milhões de seguidores nos EUA, ou 1,4% da população, segundo dados de 2008, e 15 dos 535 membros do Congresso. Para as ambições eleitorais de Romney e de Huntsman, a religião torna-se um problema porque o mormonismo não é visto como cristão por boa parte dos americanos - noção contestada veementemente por eles.

Pesquisa encomendada pela NBC/Wall Street Journal e divulgada na semana passada apontou a resistência de 21% dos eleitores em votar em Romney por causa de sua religião. O quadro parece estável em relação a consultas anteriores. Conforme pesquisa do instituto Gallup de junho, 22% de eleitores não dariam seu voto a um mórmon. O instituto Pew Research, em julho, havia registrado essa rejeição em 25% dos consultados.

Com o acirramento da disputa entre os oito pré-candidatos republicanos, a crença de Romney transformou-se em munição para o governador do Texas, Rick Perry, um líder evangélico amador cuja campanha custa a deslanchar. Perry está em terceiro lugar, atrás do novato Herman Cain, empresário negro de sucesso agora pressionado por causa de denúncias de ter cometido assédio sexual nos anos 90.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.