Religião é nova arma da oposição

"Eleja Deus, vote não", diz a propaganda contra a nova Constituição do presidente Evo Morales, financiada por igrejas evangélicas e veiculada por TVs bolivianas. A mensagem, porém, longe de representar apenas a posição de um grupo de religiosos, nas últimas semanas tornou-se um dos pilares da estratégia de campanha da oposição. Líderes políticos e cívicos dos Departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija descobriram na religião e nas questões morais argumentos novos para atacar o presidente - e de forma eficiente. Oficialmente, mais de 90% dos bolivianos são cristãos. Com sua imagem ligada a projetos da área de educação e saúde onde o Estado não chega, a Igreja é também uma das instituições mais bem avaliadas do país, o que explica porque para parte da população não vê com bons olhos uma Constituição de princípios ateus, ou mais "grave" ainda, que "revaloriza" a "mãe terra" Pachamama e outras divindades adoradas por povos indígenas. "A Carta que vai a referendo não diz que o Estado ?reconhece e apoia? o catolicismo, como a anterior, e ainda prevê estímulos para o ensino das crenças indígenas", disse ao ?Estado? Roly Aguilera, secretário-geral do governo de Santa Cruz. "Além disso, seu texto ambíguo também possibilita a legalização do aborto - um desrespeito à vida."A Igreja Católica também fez críticas ao projeto. Para se defender dos ataques, Evo chegou a se declarar católico pela primeira vez há uma semana - mas fez a ressalva de que também é "bastante" devoto de Pachamama.

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