(AP Photo/Ben Curtis)
(AP Photo/Ben Curtis)

Religião não deve ser utilizada para justificar violência, diz papa

Em Nairóbi, no Quênia, ele participou de um encontro inter-religioso e ecumênico, quando ressaltou a importância do diálogo em um mundo 'ferido por conflitos e religiões'

O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 15h43

NAIRÓBI - O papa Francisco advertiu nesta quinta-feira, 26, que a religião não deve ser utilizada "para justificar o ódio e a violência" e lamentou a radicalização dos jovens em seu nome para "rasgar o tecido social".

O pontífice pronunciou essas palavras durante um encontro inter-religioso e ecumênico hoje de manhã em Nairóbi, primeira escala de sua viagem pela África, no qual ressaltou a importância do diálogo em um mundo "ferido por conflitos e religiões". "As religiões jogam um papel essencial na formação das consciências, mas o nome de Deus não deve ser usado jamais para justificar o ódio e a violência", afirmou Francisco. 

A esse respeito, lembrou os quatro atentados mais graves no Quênia nos últimos dois anos - todos cometidos pelo grupo jihadista Al-Shabab: o ataque ao centro comercial Westgate (com 67 mortos), os dois no povoado de Mandera (com 64 mortos) e o da Universidade de Garissa (com 148 mortos). "Com muita frequência, se radicaliza os jovens em nome da religião para semear a discórdia e o medo, e para rasgar o tecido de nossas sociedades", lamentou o papa.

Segundo Francisco, a relação entre as diferentes religiões "impõe desafios e dúvidas", no entanto, o diálogo ecumênico e inter-religioso "não é um luxo, mas uma coisa fundamental que o mundo precisa cada vez mais". "Em um mundo cada vez mais interdependente, vemos sempre com maior clareza a necessidade de uma mútua compreensão inter-religiosa, de amizade e colaboração para a defesa da dignidade e o direito dos povos a viver em liberdade e felicidade", argumentou.

Nesse sentido, lembrou que este ano se comemora o quinquagésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano 2º, no qual a Igreja Católica se comprometeu com o diálogo ecumênico e inter-religioso ao serviço da compreensão e da amizade. 

O giro africano de Francisco também busca a aproximação com a crescente população católica do continente, que deve chegar a meio bilhão de pessoas até 2050. Um terço dos 45 milhões de habitantes do Quênia é católico. / EFE e REUTERS

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