Ozan Kose/AFP
Ozan Kose/AFP

Religião, política e frustração popular marcam os conflitos entre Israel e palestinos; leia análise

Na região, tudo pode mudar muito rapidamente

Miriam Berger*, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 05h00

O primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, luta por sua sobrevivência política após quatro impasses eleitorais que deixaram Israel de pernas para o ar. Ele está à frente de um governo provisório e responde a acusações de corrupção, enquanto os partidos da oposição negociam a formação de um novo governo. O premiê aliou-se a políticos de extrema direita. Entre eles, Itamar Ben-Gvir, líder do partido extremista Poder Judaico, que tem participado dos confrontos no bairro de Sheikh Jarrah e em torno do Monte do Templo, em Jerusalém. Os críticos do premiê dizem que a tensão, em parte, escalou livremente porque ele estava distraído com outros assuntos.

Para os palestinos, vários acontecimentos alimentaram as frustrações. Em abril, o presidente, Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina (AP), que controla algumas partes da Cisjordânia, adiou o que deveria ser a primeira eleição palestina em 15 anos. Em teoria, a votação aconteceria na Cisjordânia, ocupada por Israel, na Faixa de Gaza e em Jerusalém Oriental. 

No entanto, Abbas está rompido com o Hamas, que governa Gaza, e Israel proibiu a Autoridade Palestina de operar em Jerusalém Oriental, onde a maioria dos palestinos não são cidadãos israelenses. Abbas, que perdendo apoio popular, culpou Israel pelo cancelamento das eleições, dizendo que não havia acordo para criar um mecanismo para que os habitantes de Jerusalém Oriental votassem. Nesse cenário, as restrições israelenses ao movimento de pessoas no Portão de Damasco e na mesquita de Al-Aqsa, terceiro local mais sagrado do Islã, tornaram-se pontos de atrito, pois muitos palestinos se reúnem nesses locais durante o mês sagrado do islamismo, o Ramadã. 

O odor de “água podre”, espalhado pelas forças de segurança israelenses, tomou conta de partes de Jerusalém Oriental. Conflitos em torno da mesquita de Al-Aqsa sempre ocorreram com frequência, provocando tensões no Oriente Médio. Mas, nos últimos dias, a apreensão também aumentou em razão da batalha legal em Sheikh Jarrah, onde um grupo de judeus pretende despejar famílias palestinas das casas em que elas viveram por décadas.

A decisão final da Suprema Corte estava marcada para esta segunda-feira, 10, mas foi adiada pelo procurador-geral de Israel, em um esforço para diminuir as tensões. Neste cenário entra também o Hamas, que travou três guerras com Israel e vem procurando preencher o vácuo político. O grupo enfrenta seus próprios problemas em Gaza, que é assolada por crises após 14 anos de isolamento imposto por israelenses e egípcios. Na região, tudo pode mudar muito rapidamente. Embora muitos temam a violência em Jerusalém, o risco maior é de retomada da guerra entre Israel e Hamas.

* É JORNALISTA

 

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