Religiosos barganham apoio a Mitt Romney

Após saída da disputa republicana do ultraconservador Rick Santorum, evangélicos pressionam provável rival de Obama a não moderar discurso

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2012 | 03h06

Diante da desistência do ultraconservador Rick Santorum de disputar a candidatura republicana à Casa Branca, alguns líderes evangélicos começaram a reunir apoio a Mitt Romney. Mas o aval dos evangélicos, que representaram quase um quarto dos votos nas últimas eleições presidenciais, é dado com reservas e condicionado aos próximos discursos de Romney sobre temas como aborto, casamento homossexual e gastos do governo.

Durante as primárias, muitos conservadores alertaram que, para conquistar a presidência, o candidato necessitará de uma base inflamada para um forte comparecimento dos evangélicos às urnas em Estados decisivos, como Missouri, Carolina do Norte, Ohio e Virgínia.

Para Romney conseguir maior entusiasmo dos conservadores cristãos ele precisa "deixar claro um compromisso autêntico e sólido com valores éticos fundamentais", diz Tony Perkins, presidente do Family Research Council. Segundo Perkins, Santorum caiu nas graças dos conservadores, pois reconheceu que "a economia e a família são indivisíveis". "A veemência será o grande problema de Romney", diz Perkins, comparando um voto obrigatório a Romney, para evitar a alternativa Barack Obama, a "ser obrigado a comer só verduras".

A Organização Nacional pelo Casamento, grupo influente contrário ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, manifestou apoio a Romney ontem. O grupo o qualificou de "verdadeiro campeão", afirmando que o presidente Obama "fez virtualmente tudo o que estava em seu poder para corroer a instituição do matrimônio".

O dilema é que Romney também necessita dos votos dos independentes para vencer, diz Whit Ayres, estrategista republicano. Portanto, terá de andar numa corda bamba política, mantendo foco nos temas econômicos de grande apelo, diz Ayres.

Os assessores de Mitt Romney garantem que ele defendeu os mesmos temas considerados importantes pelos conservadores de direita, prometendo opor-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, apoiar vigorosamente Israel e o orçamento militar e adotar as propostas fiscais mais estritas do deputado Paul D. Ryan, republicano de Wisconsin e o favorito do grupo radical Tea Party.

Muitos líderes evangélicos rejeitam a opinião geral de que Romney, depois de se voltar para a direita para conseguir a indicação, precisará mudar na direção do centro para vencer em novembro. Destacam a derrota de John McCain em 2008, quando os conservadores não se sensibilizaram com sua candidatura e foram votar em número pequeno. / NYT

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